Falta de quórum na Câmara mantém crise do transporte escolar em Porto Velho
A Câmara de Porto Velho não votou o decreto que suspenderia o contrato da Prime; sem quórum e em recesso, solução foi adiada e transporte escolar segue parado.
Problemas no transporte escolar de Porto Velho deixaram dezenas de crianças sem acesso às salas de aula em distritos do município, especialmente em União Bandeirantes. A solução proposta pela Câmara de Vereadores não avançou por falta de quórum durante a sessão em que o tema estava previsto para votação.
O Projeto de Decreto Legislativo nº 68 previa a suspensão imediata dos efeitos do contrato 068/PGM/2023, firmado entre a Prefeitura de Porto Velho e a empresa Prime Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda., por até 90 dias. A medida visava forçar a realização de nova licitação e determinava que a contratada mantivesse a operação dos ônibus enquanto perdurasse a transição.
O texto do projeto, em seu Artigo 2º, § 1º, indicava que "a contratada permanecerá executando os serviços exclusivamente para assegurar a continuidade da prestação do serviço público" durante o período de suspensão, evitando a paralisação do transporte escolar.
Vereadores relataram irregularidades atribuídas à Prime, que possui sete contratos com a Prefeitura. Entre as denúncias estão atraso no pagamento a fornecedores de combustível — que teria deixado crianças sem aulas por mais de dez dias, segundo o vereador Breno Mendes — e práticas descritas como cobrança de taxas de até 40% para liberação de pagamentos atrasados.
Outras acusações mencionadas na tribuna incluem suposta agiotagem e extorsão contra pequenos empresários locais, além de tentativa da empresa de estender prazos de pagamento para 67 dias, conduta apontada como contrária à nova Lei de Licitações.
O vereador Dr. Gilber defendeu a legitimidade do instrumento legislativo para sustar o contrato, argumentando que se trata de proteger um serviço essencial e o direito fundamental das crianças à educação quando a empresa abandona a prestação do serviço.
Para aprovar o decreto legislativo era necessário quórum qualificado de 16 vereadores. No momento da votação, a Mesa Diretora registrou apenas 14 presentes — e, em alguns instantes durante a chamada, apenas 11 —, o que impediu a aprovação da medida.
Após constatar a falta de votos, a presidência da Câmara encerrou a sessão e declarou recesso legislativo por 15 dias. Com isso, os contratos com a empresa Prime permanecem em vigência e a solução imediata para restabelecer o transporte escolar não foi adotada, deixando em risco a continuidade das aulas nos distritos afetados.