Câmara de Porto Velho reduz sessões semanais durante campanha
Câmara de Porto Velho reduzirá sessões a uma vez por semana (ago–25/10), priorizam campanha; faltas impediram votação sobre transporte; recesso de 15 dias.
A Câmara Municipal de Porto Velho aprovou a redução do ritmo de trabalho para o segundo semestre de 2026. Pelo Projeto de Resolução nº 873/2026, de autoria da Mesa Diretora, as sessões plenárias ordinárias passam de duas para uma por semana durante o período eleitoral.
As sessões ocorrerão apenas às segundas-feiras, às 9h, entre agosto e 25 de outubro, data prevista para o término do segundo turno das eleições. A mudança foi justificada pela direção da Casa com o argumento de que parcela significativa dos vereadores estará diretamente envolvida nas atividades de campanha.
Segundo o texto aprovado, o engajamento dos parlamentares nas disputas eleitorais impacta a dinâmica dos trabalhos, a formação de quórum e a produtividade legislativa, razão apontada para a diminuição temporária da agenda.
A medida amplia um problema já recorrente na Câmara: o esvaziamento do plenário. Durante a 41ª sessão ordinária, votações importantes não foram realizadas porque parte dos vereadores deixou o recinto antes da conclusão dos trabalhos.
Um decreto legislativo de urgência que solicitava a sustação do contrato da empresa Prime — alvo de reclamações por atrasos de pagamento e pela falta de transporte escolar em distritos — não foi votado por ausência de quórum qualificado; eram necessários 16 votos, mas apenas 14 parlamentares permaneceram para deliberar.
O vereador Breno Mendes criticou a falta de presença e alertou para os efeitos sobre a população: "Acredito que é um grande prejuízo para a população de Porto Velho, tendo em vista que as crianças já ficaram sem aula nos distritos. E o que pode acontecer sem a Câmara estar... pode agravar o quadro", afirmou.
A Mesa Diretora chegou a percorrer os corredores na tentativa de reunir parlamentares para concluir a pauta, em apelos públicos por apoio, sem sucesso. Em seguida, uma sessão extraordinária prevista para ocorrer foi desconvocada por falta de quórum.
Ao final das deliberações, foi anunciado que os vereadores entram imediatamente em recesso legislativo de 15 dias, com pagamento normalmente mantido, reduzindo ainda mais o período de atividade parlamentar no segundo semestre.