Tartaruga da Amazônia enfrenta desafios reprodutivos devido a alterações no Rio Guaporé
A tartaruga-da-Amazônia, essencial para a biodiversidade, enfrenta ameaças como mudanças climáticas, turismo desordenado e caça. A preservação é crucial.
A tartaruga-da-Amazônia, um símbolo da biodiversidade e equilíbrio ecológico da Amazônia, enfrenta cada vez mais desafios em seu ciclo reprodutivo. Alterações no nível do Rio Guaporé, queimadas ilegais, turismo desordenado e caça predatória estão entre os principais fatores que ameaçam a sobrevivência da espécie. Diante disso, instituições, voluntários e comunidades locais têm intensificado seus esforços para a preservação dela.
O ciclo de vida das tartarugas-da-Amazônia é complexo. A desova ocorre geralmente entre agosto e setembro, no verão amazônico, quando as temperaturas são elevadas e há alta incidência de sol, aspectos essenciais para a incubação dos ovos. Uma fêmea pode colocar mais de 90 ovos por ninho, que se desenvolvem sem a presença dela. A eclosão costuma acontecer em dezembro, quando os filhotes emergem da areia e, instintivamente, se dirigem sozinhos à água, embora sejam presas fáceis para predadores. No ano de 2024, operações de salvamento foram realizadas devido à subida repentina do nível do rio, que ameaçava inundar os ninhos.
A tartaruga-da-Amazônia (Podocnemis expansa) é considerada uma importante espécie por sua relevância cultural e ecológica. É o maior quelônio de água doce da América do Sul, podendo atingir até 1 metro de comprimento e mais de 50 kg. A preservação desta tartaruga também está atrelada ao turismo ecológico e ao fortalecimento de economias sustentáveis, além de contribuir para a ciclagem de nutrientes e o equilíbrio do ecossistema aquático e terrestre.
O nível do Rio Guaporé, de acordo com José Soares Neto, um dos fundadores da Associação Comunitária e Ecológica do Vale do Guaporé (Ecovale), não baixou em 2024 como ocorria em anos anteriores. Com a água acima do nível normal, as áreas de desova diminuíram, e os ninhos existentes correm o risco de inundação, o que prejudica todo o ecossistema da região. A tartaruga desempenha um papel essencial na cadeia alimentar das espécies aquáticas e aves locais.
Além dos problemas gerados pelo nível do rio, o turismo desordenado tem impactado a reprodução das tartarugas. Turistas sem orientação têm invadido as áreas de desova, forçando as tartarugas a migrarem para locais menos seguros. A caça predatória é outro fator de grave preocupação, pois a captura das tartarugas por caçadores representa uma ameaça direta à sua sobrevivência.
Embora a atenção esteja focada nas tartarugas, outras espécies, como as gaivotas, também estão enfrentando atrasos em seus períodos reprodutivos. O monitoramento dessas aves é realizado simultaneamente aos esforços de preservação das tartarugas pela Ecovale.
O Festival de Praia de Costa Marques, realizado entre os dias 25 e 28 de setembro, também foi afetado pela situação do Rio Guaporé. O prefeito Dr. Fabiomar relatou que, devido ao nível da água, a faixa de praia se reduziu significativamente, o que comprometeu a participação dos visitantes e, consequentemente, a economia do município.
Em relação à fiscalização, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) enfatizou que prioriza a proteção da fauna e praias da região, enquanto a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam) atua em conjunto com a Ecovale e outras entidades para combater crimes ambientais. O Exército Brasileiro também realiza operações de policiamento na área para coibir atividades ilegais.