Corrida do ouro em Porto Velho contamina rios e peixes
Proposta de usar as Forças Armadas contra o crime na Amazônia revela desinteresse em fortalecer polícias e ignora as causas sociais da criminalidade.
Propostas para empregar as Forças Armadas no combate ao crime na Amazônia voltam a ganhar atenção pública, mas especialistas e críticos alertam para riscos e incoerências dessa solução. Transformar as Forças Armadas em força policial afronta a natureza das instituições militares e revela, segundo analistas, desinteresse em equipar e fortalecer as polícias civis e militares para suas atribuições regulares.
Além do conflito institucional, a ênfase exclusiva no enfrentamento repressivo nas ruas ignora as causas profundas da criminalidade. Sem políticas preventivas, sociais e econômicas que reduzam desigualdades e promovam coesão comunitária, a lógica de esperar a incidência do crime para então combatê-lo tende apenas a ampliar a violência, aumentar a demanda por policiamento e incentivar soluções paliativas ou ineficazes.
Observadores citam experiências em que o senso de comunidade e a coesão social contribuem para níveis menores de criminalidade, enquanto contextos marcados por polarização e a cultura do “nós contra eles” agravam incompreensão, fragilizam vínculos sociais e favorecem conflitos. Para reduzir a violência, defendem, é preciso estudar e atacar suas causas — educação, renda, saúde, infraestrutura e governança local — além de investir em policiamento técnico e estruturado.
Em Porto Velho, a economia local registra uma nova “corrida do ouro”: garimpos voltaram a se expandir no Palmeiral e nas margens do Rio Madeira, em áreas como Belmont e nos distritos ribeirinhos de São Carlos e Calama. A migração de trabalhadores do campo para o garimpo já começa a reduzir a oferta de melancias produzidas no Baixo Madeira, à medida que agricultores se deslocam para atividades auríferas.
O aumento do garimpo traz ainda riscos ambientais imediatos. Há relatos de contaminação por mercúrio em trechos do Madeirão, com impactos sobre peixes e recursos hídricos que abastecem a capital rondoniense. Esses problemas se somam à perspectiva de uma seca intensa em ano marcado pelos efeitos do super El Niño, o que coloca pressão adicional sobre recursos naturais e comunidades ribeirinhas.
No campo político estadual, candidatos ao governo de Rondônia mantêm relação próxima com o ex-governador Ivo Cassol, mesmo com sua inelegibilidade que o impede de concorrer ao Palácio Rio Madeira. Cassol tem sido procurado por postulantes para consultas e orientações; entre as articulações recentes, consta sua indicação de Everton Leoni como candidato a vice na chapa do ex-prefeito de Cacoal, Adailton Fúria.
Apesar da influência percebida, nomes ligados a Cassol são associados por aliados e adversários à ideia de que sua presença tende a não favorecer as candidaturas que apoia — segundo observadores, a performance política do ex-governador costuma render melhores resultados quando ele próprio é candidato.
O governador Marcos Rocha (PSD) passou cerca de duas semanas em viagem à China e manteve distância das agendas de campanha do candidato alinhado ao seu grupo, Adailton Fúria. A ausência do governador dos palanques suscitou dúvidas sobre se o afastamento é resultado de pedido do próprio Fúria, de desgaste político nas bases, ou de divergências na montagem do comando de campanha. Resta acompanhar se as relações entre Rocha e Fúria se normalizarão ou se haverá ruídos na reta final.
No calendário eleitoral, a deputada federal Silvia Cristina (PP) programou para sábado, dia 11, no Clube Vera Cruz em Ji-Paraná, o lançamento oficial da pré-candidatura ao Senado. A candidatura será confirmada nas convenções partidárias, previstas para ocorrer entre o final de julho e 5 de agosto. Aliada à Federação União Progressista (União Brasil e PP) e com atuação destacada em pautas de saúde em Rondônia, Silvia Cristina figura entre as primeiras colocadas nas sondagens iniciais para as vagas ao Senado.
Everton Leoni, apresentador e ex-parlamentar, licenciado de seu programa na SIC TV, atua como candidato a vice na chapa de Adailton Fúria. Leoni tem percorrido órgãos públicos e bairros de Porto Velho para reforçar a campanha chapa-branca, com o objetivo de ampliar o desempenho do grupo na capital, onde a candidatura do ex-prefeito Hildon Chaves tem mostrado vantagem até o momento.
No âmbito legislativo e municipal, o deputado federal Lúcio Mosquini (PL-Ouro Preto do Oeste) teve aprovado projeto que prevê suspensão de embargos ambientais por até 24 meses; a Assembleia Legislativa de Rondônia, em recesso, conta com cerca de 20 deputados estaduais em busca de reeleição; o deputado Camargo disputa a vaga de vice na chapa liderada pelo senador Marcos Rogério; e o deputado Ezequiel Neiva disputa vaga na Câmara dos Deputados.
Na capital, o prefeito Léo Moraes manteve a iniciativa da Rua do Hexa aberta aos domingos, oferecendo opção de lazer e encontro comunitário para os moradores.