Parque Povos Indígenas Rio Tanaru acirra debate no Sul de Rondônia

Decreto que cria o Parque Nacional Povos Indígenas do Rio Tanaru, com 7.638ha no Cone Sul de Rondônia, provoca reação do agronegócio e tensiona debate político.

Parque Povos Indígenas Rio Tanaru acirra debate no Sul de Rondônia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou a criação do Parque Nacional Povos Indígenas do Rio Tanaru por meio do Decreto nº 13.016, publicado nesta quarta-feira (10). A medida gera forte repercussão nos municípios do Cone Sul de Rondônia e deve acirrar o debate político na região nos próximos meses.

A nova unidade de conservação federal abrange aproximadamente 7.638 hectares distribuídos entre Chupinguaia, Corumbiara, Parecis e Pimenteiras do Oeste. O governo federal apresenta o decreto como uma iniciativa voltada à preservação ambiental, à proteção da biodiversidade e à valorização da memória dos povos indígenas locais.

Produtores rurais e representantes do agronegócio reagiram com preocupação. Nos bastidores do setor produtivo, a interpretação predominante é a de que o decreto configura mais uma intervenção federal em uma região fortemente dependente da agropecuária, com risco de desapropriações e restrições ao uso de terras.

A região atingida é uma das mais produtivas de Rondônia, com forte presença da pecuária de corte, da produção leiteira e da agricultura, atividades que desempenham papel central na geração de emprego, renda e arrecadação. Por isso, líderes do setor defendem que a criação de áreas protegidas deveria ser precedida de diálogo mais amplo com proprietários rurais, sindicatos e entidades do agronegócio.

O tema já ganhou contornos políticos locais. Lideranças regionais avaliam que a medida pode aumentar a rejeição ao Partido dos Trabalhadores (PT) entre integrantes do setor produtivo no Cone Sul do Estado, segmento historicamente sensível a pautas sobre ampliação de áreas protegidas, questões fundiárias e políticas ambientais percebidas como restritivas.

Nos municípios afetados, o decreto tornou-se pauta recorrente em reuniões de produtores, associações rurais e entidades representativas. A percepção de parte do setor é de que decisões dessa natureza fortalecem discursos favoráveis a maior segurança jurídica para propriedades rurais e menor intervenção federal sobre áreas produtivas.

Analistas apontam que o assunto pode ultrapassar as fronteiras de Rondônia e integrar debates nacionais sobre preservação ambiental, direitos indígenas, regularização fundiária e desenvolvimento econômico — temas que costumam dividir opiniões entre diferentes correntes políticas.

Politicamente, a criação do parque tende a ser explorada tanto por defensores da conservação quanto por candidatos alinhados ao agronegócio nas próximas campanhas eleitorais. Há expectativa de que a pauta esteja presente nos debates das eleições de 2026 e em pleitos subsequentes, especialmente em estados da Amazônia Legal.

Enquanto o governo ressalta a importância histórica e ambiental da unidade de conservação, produtores e lideranças do setor produtivo afirmam que acompanharão de perto a implementação do parque e eventuais medidas administrativas decorrentes do decreto.

Fonte da imagem: Reprodução

Fonte das informações: Rondoniaovivo