Quatro em cada dez brasileiros sem ideologia podem decidir voto
40% dos brasileiros não se identificam com corrente política; baixa memória de voto e eleitor sem vínculo ideológico pode decidir as eleições de 2024.
Quatro em cada dez brasileiros dizem não se identificar com nenhuma corrente política, segundo o Panorama Político 2024, do DataSenado, e a maioria também não se lembra em quem votou para deputado e senador nas eleições de 2022. Os dados indicam que eleitores sem vínculo ideológico e com baixo engajamento político podem ter papel decisivo nas próximas disputas eleitorais.
O levantamento do DataSenado mostra que 40% da população afirma não se identificar com esquerda, direita ou centro. Individualmente, os percentuais de autoidentificação são: direita 29%, esquerda 15% e centro 11%; outros 6% não souberam responder.
O estado de Rondônia se destaca como exceção ao padrão nacional: 41% dos entrevistados no estado se declaram de direita, 15% de esquerda, 11% de centro e 33% afirmam não ter identificação política. É a única unidade da federação em que o total de eleitores com posicionamento definido supera o daqueles que dizem não se identificar com corrente ideológica.
A pesquisa também revela diferenças por gênero: entre as mulheres, 46% não se reconhecem em nenhum posicionamento político e 7% não souberam responder; entre os homens, esses números caem para 34% e 5%, respectivamente, indicando maior distanciamento do eleitorado feminino.
Levantamento do Datafolha corrobora o baixo engajamento ao mostrar que apenas 23% dos brasileiros lembram em quem votaram para deputado federal em 2022, enquanto 67% afirmaram não se recordar. Para o Senado, 23% lembram o voto e 66% não recordam. Quando solicitados a citar parlamentares em exercício, 36% não conseguiram lembrar nenhum deputado federal e 40% não lembraram nenhum senador; outros 32% e 35% disseram não saber responder, respectivamente.
Na prática, esses resultados apontam para um eleitorado com identificação ideológica pouco consolidada e fraca memória sobre representantes eleitos. Esse perfil tende a ser prioridade nas campanhas, sobretudo em disputas equilibradas, porque variações pequenas de preferência podem alterar resultados. Propostas, desempenho administrativo, imagem dos candidatos e eventos de campanha ganham maior peso entre eleitores com vínculo partidário ou ideológico menos sólido.