O Crime é Escolha e o Preço da Desresponsabilização é Alto para a Juventude
Um policial militar reflete sobre a aparente relação entre juventude e criminalidade, ressaltando que a falta de oportunidades não é a única justificativa, mas sim a escolha e responsabilidade pessoal.
Um policial militar com mais de dez anos de atuação em Porto Velho compartilha sua visão sobre a juventude e o envolvimento com crime. Ele destaca que, apesar de ouvir frequentemente que os jovens se envolvem no crime por falta de oportunidade, a realidade que observa nas ruas é diferente.
Durante suas patrulhas nas madrugadas da Zona Leste, ele testemunha jovens que, em vez de buscar educação e oportunidades, preferem se envolver no tráfico de drogas e em atividades ilícitas. Esses jovens, segundo o policial, demonstram disposição para passar a noite em festas e no crime, mas não mostram o mesmo empenho em estudar ou se preparar para um futuro melhor.
O acesso à educação e recursos já não é uma barreira como antes. Atualmente, muitos jovens têm à disposição internet, vídeos educativos gratuitos, e diversas oportunidades acadêmicas, como programas de bolsas de estudos. Para o policial, a falta de progresso não é uma questão de acesso, mas sim de vontade e responsabilidade pessoal.
Ele relembra sua própria trajetória, enfatizando que, aos 16 anos, estudou com apostilas antigas e não teve facilidades. Com determinação, conseguiu ingressar na polícia aos 18 anos. Para ele, a diferença entre aqueles que constroem um futuro e os que se entregam ao crime está na escolha e no comprometimento individual.
O policial também observa que muitos jovens não rejeitam autoridade em geral, mas sim a autoridade legítima. Eles podem aceitar regras dentro de uma facção criminosa, mas não são capazes de obedecer normas na escola ou em casa. Para ele, isso aponta para um desvio de valores, onde o “sistema” é culpado em vez da escolha pessoal de se envolver com o crime.
Ele alerta que grandes empresas evitam contratar pessoas com antecedentes criminais, o que resulta em dificuldades para jovens que, ao saírem da prisão, percebem que perderam tempo e oportunidades. O crime, segundo o policial, não é uma consequência inevitável da sociedade, mas sim o resultado de decisões erradas que priorizam prazeres momentâneos em detrimento de um futuro digno.
Para concluir, o policial afirma que, embora o Estado deva continuar oferecendo caminhos e oportunidades, a responsabilidade por aproveitá-los cabe a cada indivíduo. Ele reafirma que o crime é uma escolha e que essa escolha é sempre acompanhada por consequências.