Candidatos ignoram Amazônia e Rondônia sofre com crise hídrica
Candidatos à Presidência evitam debate profundo sobre a Amazônia, reduzindo desafios complexos a slogans simples e ignorando crimes e pobreza estrutural.
Dirigentes da Confederação Nacional da Indústria (CNI) observaram que candidatos à Presidência têm dedicado pouca atenção às questões amazônicas, em parte porque a complexidade da região não se encaixa nas fórmulas simplificadas de campanha. Especialistas apontam que discursos simplistas e promessas genéricas — como “combater a violência” — não explicam nem enfrentam problemas que envolvem crime organizado transnacional, desigualdade e fatores estruturais que impedem o desenvolvimento local.
Na esfera federal, a revisão do pedágio na BR‑364 foi articulada em Brasília pelo ex-senador Acir Gurgacz (PDT‑RO). A iniciativa é vista como uma esperança para Rondônia, pois Gurgacz, mesmo fora do cargo, tem atuado como interlocutor entre prefeitos do estado e o governo federal, mobilizando recursos, apoiando projetos de infraestrutura municipal e liberando emendas de sua autoria.
Na área de habitação, falta de fiscalização tem resultado em problemas crônicos em conjuntos residenciais de Rondônia. Moradias apresentam rachaduras, falta de água e esgoto a céu aberto em ruas internas. O conjunto Orgulho do Madeira, inaugurado há quase uma década, ainda convive com problemas de esgoto. Autoridades e agentes financeiros são apontados como insuficientes na fiscalização; prefeitos e governadores, por sua vez, costumam inaugurar obras em busca de visibilidade política antes de assegurar a qualidade das entregas.
O comércio de Porto Velho enfrenta retração provocada pela expansão das apostas on‑line, pelo crescimento das vendas virtuais e pelo aumento do endividamento das famílias. Economistas locais e lojistas relatam que a movimentação financeira que antes impulsionava o comércio durante semanas passou a se concentrar no dia do pagamento, reduzindo consumo subsequente. Fechamentos de agências bancárias e redução de caixas eletrônicos na capital agravam a circulação de dinheiro na cidade.
Historicamente, governadores de Rondônia costumam sofrer reação negativa da população da capital ao final dos mandatos. Episódios de hostilidade a ocupantes do Palácio do Governo foram registrados em administrações passadas, inclusive contra figuras consideradas relevantes na história local, o que aponta para uma cultura de avaliação pública severa na capital.
O atual governador, Marcos Rocha, tem enfrentado reclamações semelhantes. Críticas apontam desempenho insuficiente em áreas prioritárias como saúde e segurança pública e a ausência de obras de grande impacto no segundo mandato, fato que alimenta a percepção entre servidores e parte da população de um governante desgastado antes do término do mandato.
Além dos temas administrativos e políticos, há alerta para uma crise hídrica na região metropolitana de Porto Velho: poços artesanais têm secado em bairros mais populosos das zonas Leste e Sul, e moradores se preparam para aprofundar poços como medida emergencial.
No plano eleitoral estadual, pré‑candidaturas e movimentações começam a se intensificar. O pré‑candidato ao governo Pedro Abib (MDB) tem percorrido municípios em um motorhome para colher propostas e montar seu programa de governo. O senador Confúcio Moura (MDB) mantém agenda tradicional de visitas aos municípios, e a deputada federal Silvia Cristina lançou sua pré‑candidatura ao Senado em evento concorrida em Ji‑Paraná no final de semana.