Mudanças climáticas afetam saúde e vidas de mulheres indígenas na Amazônia

Mulheres indígenas da Amazônia enfrentam desafios face às mudanças climáticas, impactando a saúde, o cuidado e o cotidiano nas comunidades.

Mudanças climáticas afetam saúde e vidas de mulheres indígenas na Amazônia

A floresta da Amazônia, após a COP30, mantém suas complexidades e desafios. Embora a conferência tenha destacado a crise climática, nas aldeias indígenas, a realidade se traduz em experiências diretas de sofrimento e mudanças. As mulheres indígenas enfrentam transformações drásticas em sua saúde e bem-estar ligados às variações climáticas, que já impactam suas rotinas diárias e modos de vida.

Marinete Tukano, coordenadora da União das Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira (UMIAB), destaca que as principais repercussões das mudanças climáticas na saúde das mulheres indígenas incluem problemas de saúde mental, insegurança alimentar, desnutrição, e aumento de doenças como malária e câncer. Estes problemas não são meramente previsões futuras, mas desafios já enfrentados pelas comunidades.

Organizações como a Amazon Conservation Team (ACT) observam essas transformações e implementam ações voltadas à saúde das mulheres. A ACT oferece apoio nas diversas fases da maternidade e foca na preservação de saberes tradicionais, sublinhando que além das estatísticas, existem vidas que refletem os efeitos diretos da degradação ambiental.

Muitas mulheres da Amazônia relatam mudanças nas práticas agrícolas e de cuidado com a saúde. Por exemplo, Sineida Viveros Garreta, do povo indígena Inga, fala sobre a perda de previsibilidade no ciclo agrícola e na saúde. Já Sandra Patiño Londoño, da ACT-Colômbia, revela como a desarmonia nos calendários naturais afeta a organização do cuidado, o que é essencial para compreender a crise climática.

A liderança indígena Olga Macuxi compartilha experiências de plantas que já não brotam no tempo certo e como a medicina tradicional, tão crucial para os povos indígenas, tem sido afetada. Ela ressaltou que as mulheres precisam buscar remédios mais longe devido às mudanças climáticas, adicionando carga ao seu trabalho diário.

Além disso, as transformações no ambiente aumentam o peso das responsabilidades das mulheres, que não só cuidam dos doentes, mas também enfrentam a insegurança alimentar. Sandra Patiño menciona que a insegurança alimentar é uma consequência direta das mudanças climáticas, afetando especialmente as mães que sacrificam sua alimentação para garantir a dos filhos.

A crise institucional agrava ainda mais a situação. Mulheres indígenas frequentemente enfrentam atendimento inadequado e violências obstétricas em hospitais que não respeitam suas tradições. O sistema de saúde não oferece suporte adequado, resultando em uma grave violação de seus direitos, como a falta de intérpretes e respeito pelos rituais de parto.

Em resposta a essas dificuldades, ações coletivas e iniciativas de fortalecimento cultural estão sendo empreendidas. A UMIAB busca desenvolver projetos que respeitem a saúde das mulheres e a cultura dos povos indígenas, enfatizando a importância da autonomia e do protagonismo nessa luta.

Lirian Ribeiro Monteiro, da ACT-Brasil, sugere que a aprendizagem com parteiras, que atuam como guardiãs do saber ancestral, é fundamental no cuidado das mulheres. A presença dessas profissionais melhora o atendimento e respeita a conexão espiritual das mulheres com o nascimento.

Conforme as falas das lideranças, é crucial reconhecer e valorizar os conhecimentos tradicionais e as práticas culturais das mulheres indígenas em quaisquer políticas de saúde e ambientais. É através dessas vozes que se torna evidente que a crise climática não afeta apenas a natureza, mas o próprio ser humano, especialmente as mulheres que sustentam suas comunidades.

Fonte das informações: UMIAB e ACT