Rondônia registra aumento de mortes no trânsito e se destaca entre os mais perigosos

Rondônia registra 273 mortes no trânsito em 2025, com uma taxa de 21,08 por 100 mil habitantes, evidenciando a gravidade da situação viária no estado.

Rondônia registra aumento de mortes no trânsito e se destaca entre os mais perigosos

Rondônia foi destacada recentemente entre os estados brasileiros com as maiores taxas proporcionais de mortes no trânsito. Entre janeiro e setembro de 2025, o estado registrou 273 fatalities em acidentes viários, conforme dados do Departamento Estadual de Trânsito de Rondônia (Detran-RO).

A taxa média de mortalidade no trânsito em Rondônia é de 21,08 mortes por 100 mil habitantes, classificando-se como a quarta maior do país, atrás apenas de Tocantins, Mato Grosso e Espírito Santo. Todos esses estados apresentam índices significativamente maiores do que a média nacional.

Esse retorno de Rondônia ao topo das estatísticas de mortalidade acende um alerta sobre a situação das vias no estado. A combinação de infraestrutura viária precária, o intenso uso de motocicletas, a fiscalização insuficiente e as fragilidades tanto nas rodovias quanto nas vias urbanas criam um ambiente perigoso para motoristas, pedestres e motociclistas.

No cenário nacional, o aumento das mortes no trânsito em 2024 foi de 8,94% em relação ao ano anterior. A taxa média de fatalidades subiu de 11,33 para 12,30 por 100 mil habitantes, marcando um retrocesso após um período de estabilização.

Um estudo do Atlas da Violência 2025, realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), confirma essa tendência, mostrando que o número de vítimas aumentou em todo o país, especialmente entre motociclistas, que são os mais afetados por fatalidades viárias.

Vários fatores explicam o aumento das mortes no trânsito, destacando-se:

  • Crescimento do uso de motocicletas, que concentram uma parte significativa das vítimas.
  • Infraestrutura urbana e rodoviária deficiente, com trechos sem sinalização e pavimentação irregular.
  • Comportamentos de risco, como uso de celular ao volante e direção sob efeito de álcool.
  • Fiscalização insuficiente, com lacunas na presença de agentes e equipamentos de controle eletrônicos.

Em Rondônia, a falta de atenção tem sido uma das principais causas de acidentes graves, de acordo com relatórios do Detran. O impacto dessa situação no Sistema Único de Saúde (SUS) é significativo, com 227.656 internações registradas por acidentes de trânsito em 2024, o que equivale a uma vítima a cada dois minutos.

Desde janeiro de 2025, o novo Programa Nacional de Trânsito (Pnatrans) enfatiza a necessidade de um envio constante de dados para melhorar o monitoramento da segurança viária. Rondônia se destacou entre os cinco estados mais comprometidos com essa prática, o que é fundamental para direcionar investimentos em infraestrutura, campanhas educativas e ações de fiscalização.

As 273 mortes registradas em Rondônia até setembro são mais do que números; representam famílias devastadas, histórias interrompidas e comunidades enlutadas. No Brasil, o aumento contínuo das fatalidades no trânsito indica que esse permanece como uma das principais causas de morte não natural, revelando que os avanços ainda são insuficientes.

Entre 2010 e 2019, o Brasil contabilizou 392 mil mortes no trânsito. Apesar de alguns anos terem apresentado queda nos índices, o aumento observado em 2023, 2024 e 2025 demonstra que a implementação de melhorias ainda está longe de ser uma realidade.

Atualmente, com uma taxa de 21,08 mortes por 100 mil habitantes, Rondônia se posiciona entre os estados mais perigosos do país para quem circula nas vias urbanas e rodovias. Essa situação, marcada por uma combinação de fragilidades estruturais, comportamentais e de fiscalização, exige uma resposta imediata.

Especialistas alertam que, sem políticas consistentes e contínuas de prevenção, fiscalização e educação para o trânsito, o Brasil poderá entrar em um ciclo permanente de alta mortalidade viária. Para atingir as metas do Pnatrans e reduzir as fatalidades até 2030, será necessário transformar dados em ações concretas que priorizem a vida nas ruas e estradas brasileiras.

Fonte das informações: Detran-RO