Morre em Porto Velho José Romão Grande líder dos soldados da borracha

Morreu aos 102 anos, em Porto Velho, José Romão Grande, presidente do Sindicato dos Soldados da Borracha e um dos últimos sobreviventes da história laboral da Amazônia na Segunda Guerra.

Morre em Porto Velho José Romão Grande líder dos soldados da borracha

José Romão Grande, presidente do Sindicato dos Soldados da Borracha, faleceu na noite de quinta-feira (8) em Porto Velho, aos 102 anos. Ele era uma das últimas vozes a relatar as experiências dos trabalhadores recrutados para a Amazônia durante a Segunda Guerra Mundial. Completaria 103 anos em 11 de março deste ano. O vice-presidente do Sindicato, George Telles, ressaltou a importância da luta de Romão pelo reconhecimento dos soldados da borracha.

Nascido em 11 de março de 1923, em Flecheiras, no município de Parnaíba (PI), Romão foi recrutado pelo Exército brasileiro em sua juventude, atraído por promessas de emprego e melhores condições de vida. Ele se alistou em um posto policial de sua cidade e partiu em 1943, enfrentando condições precárias, primeiro em um barco e, em seguida, no porão de um navio rumo à Amazônia.

Ao chegar, recebeu seu número de identificação 11035 e um fardamento. No entanto, suas expectativas foram frustradas, pois, segundo seus relatos, as promessas não se concretizaram. Nos seringais, Romão enfrentou uma rotina marcada por doenças, desnutrição e abandono, perdendo amigos para enfermidades como malária e beribéri, muitos dos quais foram enterrados sem dignidade ao longo dos anos em diversos seringais no Amazonas e no Acre.

Jose Romão foi reconhecido pelo Governo Federal como ex-combatente de guerra e passou a maior parte de sua vida em Porto Velho, onde formou uma família. Ele era pai de oito filhos e se tornou avô, bisavô e tataravô. Apesar de ter recebido o título oficial, nunca deixou de lutar pelo reconhecimento integral dos sacrifícios dos soldados da borracha, que foram essenciais para o esforço de guerra dos aliados.

Romão, de fala mansa e homem simples, costumava se apresentar com a frase "Grande é o Senhor", que refletia sua fé e calma diante dos desafios da vida.

O recrutamento de José Romão e de milhares de nordestinos aconteceu em um momento crítico da Segunda Guerra Mundial. Com o avanço alemão e a participação do Japão no conflito em 1942, os aliados perderam acesso a 97% das áreas produtoras de borracha na Ásia. O material tornou-se vital para a indústria bélica, o que motivou Brasil e Estados Unidos a reforçarem a extração de látex na Amazônia, sacrificando a vida e saúde de muitos trabalhadores.

Com a morte de José Romão Grande, Porto Velho e o Brasil se despediem de uma testemunha importante de um dos períodos mais difíceis e frequentemente esquecidos da história nacional. Sua trajetória permanece como uma memória viva do sacrifício dos soldados da borracha e da contínua luta por justiça e reconhecimento.

Fonte das informações: Idaron