Entidades buscam reduzir ICMS para melhorar preços da pecuária em Rondônia

Entidades do setor pecuário de Rondônia buscam reduzir o ICMS para melhorar a remuneração dos produtores e equilibrar a oferta de gado para abate.

Entidades buscam reduzir ICMS para melhorar preços da pecuária em Rondônia

A pecuária de corte em Rondônia enfrenta um cenário desafiador, levando a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Rondônia (FAPERON), a Associação dos Pecuaristas de Rondônia (APRON), a Associação Rondoniense dos Pecuaristas (ARONPEC) e a Câmara Setorial da Carne a se mobilizarem. Essas entidades buscam a viabilização da exportação de animais para abate, com a proposta de redução da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS). A iniciativa visa diminuir a oferta interna, promovendo uma remuneração mais justa para os produtores e estimulando a retenção de fêmeas, além do aumento da produção de bezerros.

Essas entidades desempenham um papel crucial no equilíbrio da cadeia produtiva, considerando a dinâmica entre oferta e demanda. O rebanho bovino em Rondônia cresceu de 14,8 milhões de cabeças em 2020 para 18,1 milhões em 2024/2025, mas espera-se que finalize 2025 com cerca de 17,1 milhões. A continuidade da desvalorização da arroba pode resultar em uma nova queda no número de cabeças, trazendo riscos à sustentabilidade do setor a médio e longo prazos.

Nos últimos anos, o abate de bovinos no estado aumentou, principalmente nos frigoríficos direcionados à exportação. Contudo, o preço pago ao produtor pela arroba bovina tem diminuído desde 2023, colocando Rondônia entre os estados com a menor remuneração do país. Esse cenário desmotivou muitos produtores, que têm optado por deixar a pecuária, arrendar áreas para a agricultura ou reduzir a retenção de fêmeas, resultando na diminuição do número de bezerros nascidos em 2024 e 2025.

Atualmente, existe uma grande quantidade de animais disponíveis para abate em Rondônia. Enquanto em outros estados as escalas de abate variam entre quatro e cinco dias, em Rondônia, especialmente em grandes frigoríficos, esse período pode chegar a sete ou nove dias, refletindo um excesso de oferta. Apesar desse desafio, as crescentes exportações têm ajudado a estabilizar a situação. Entretanto, a imposição de taxas pela China suscita preocupações, pois pode reduzir as compras a partir do segundo semestre e resultar em novas pressões sobre os preços.

Além disso, os produtores de outros estados, que oferecem valores superiores pela arroba, têm atraído bezerros e bezerras de qualidade superior de Rondônia, o que levanta preocupações sobre a possível degradação da qualidade do rebanho local ao longo do tempo. A diferença de preços entre R$ 14,00 e R$ 20,00 por arroba em relação a outros estados resulta em perdas significativas, com mais de R$ 500 milhões não circulando anualmente na economia rondoniense, quantia que poderia ser destinada a empregos, investimentos e impostos.

A FAPERON, representando o setor pecuário, espera que, em breve, se estabeleça um equilíbrio entre preços e oferta, essencial para a sustentabilidade da cadeia produtiva de carne. As entidades continuam a trabalhar para combater as distorções de mercado, evitando tanto o excesso atual de animais quanto a futura escassez de oferta para a indústria, buscando promover a harmonia e a sustentabilidade da pecuária em Rondônia.

Fonte da imagem: Reprodução

Fonte das informações: FAPERON