Nova evidência reabre investigação sobre uso irregular de recursos em obra na igreja em Porto Velho

Documentos e fotos novas indicam que a Prefeitura de Porto Velho usou recursos públicos para asfaltar o pátio de uma igreja, provocando nova investigação do MP.

Nova evidência reabre investigação sobre uso irregular de recursos em obra na igreja em Porto Velho

Uma nova documentação, acompanhada de fotografias, apresenta indícios de irregularidades na utilização de recursos públicos em Porto Velho. O caso envolve máquinas da Prefeitura e a realização de obras no pátio da Igreja Assembleia de Deus, ligada à vice-prefeita Magna dos Anjos. Investigações do Ministério Público do Estado de Rondônia (MPRO) levantam suspeitas sobre a veracidade das informações fornecidas por servidores da Prefeitura e dirigentes religiosos.

No ano passado, uma denúncia inicial apontou que o pátio da igreja estava sendo asfaltado sem a existência de convênios. Imagens revelaram a presença de um caminhão-pipa da Prefeitura, o que gerou uma investigação formal pelo MP. Documentos posteriores foram incriminados como tentativas de enganar as autoridades.

Um documento foi criado, supostamente assinado por um servidor da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra), que alegava a realização de serviços no cruzamento de ruas próximas, mencionando apenas o uso de um caminhão-pipa para um serviço pontual no pátio da igreja. Contudo, após essa declaração, um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) foi instaurado contra o servidor, e um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) foi firmado entre a Prefeitura e a igreja.

Entretanto, a versão apresentada no documento tem sido contestada por um ex-servidor da Seinfra, que apresenta imagens georreferenciadas mostrando que o pátio da igreja foi asfaltado integralmente. As fotos revelam também a utilização de outras máquinas públicas, como rolos compactadores e um caminhão espargidor de piche, além da alegação de que cerca de 12 toneladas de emulsão asfáltica, avaliadas em mais de 200 mil reais, foram retiradas da Secretaria Municipal de Obras e levadas ao local da igreja.

O ex-servidor, Sandro Barbosa, mantinha comunicação com o ex-deputado Valter Araújo, identificado como um contato ligado à realização da obra, e que já foi condenado por corrupção. Além disso, houve relatos de que, ao se saber da presença de uma equipe de reportagem, os responsáveis pela igreja tentaram esconder as máquinas, utilizando um portão nos fundos para a retirada furtiva.

Com a nova documentação e as evidências surgidas, a apuração inicial, que tratava o caso como uma simples intervenção de pequeno porte, agora sugere uma obra completa de asfaltamento. Diante dessa nova evidência, o TAC firmado anteriormente pode ser revogado, e os envolvidos podem ser responsabilizados por improbidade administrativa.

Fonte das informações: Ministério Público do Estado de Rondônia