Estudo sugere que Ozempic e Mounjaro reduzem duração do efeito do botox

Um estudo indica que medicamentos como Ozempic e Mounjaro podem reduzir a duração do botox de 20 para 16 semanas, requerendo um acompanhamento dermatológico mais atento.

Estudo sugere que Ozempic e Mounjaro reduzem duração do efeito do botox

Um estudo recente publicado na revista científica Toxicon sugere que o uso de medicamentos conhecidos como "canetas emagrecedoras", como Ozempic (semaglutida) e Mounjaro (tirzepatida), pode reduzir a duração do efeito do botox em aplicações faciais. A pesquisa indica que a duração média do efeito do botox pode diminuir de aproximadamente 20 para 16 semanas entre usuários desses medicamentos.

A pesquisa, que utilizou um modelo de simulação computacional com 25.000 pacientes virtuais, acompanhou o uso simultâneo desses agonistas do receptor GLP-1 e da toxina botulínica tipo A ao longo de um ano. Os resultados mostraram que a substância tirzepatida (Mounjaro) causou uma redução mais acentuada na duração do botox, que caiu para cerca de 16,2 semanas, enquanto a semaglutida (Ozempic) resultou em uma duração média de aproximadamente 17,3 semanas.

Os pesquisadores levantaram duas hipóteses biológicas para explicar essa interação medicamentosa. A primeira aponta que os medicamentos para emagrecimento não apenas eliminam gordura, mas também podem afetar a massa muscular, que é essencial para a sustentação do rosto. O botox age nos nervos que controlam esses músculos, e qualquer alteração na massa muscular pode interferir na eficácia do tratamento.

A segunda hipótese sugere que essas medicações reprogramam o metabolismo do corpo, mudando a forma como o organismo processa o botox. A dermatologista Lauren Morais destacou que tanto o botox quanto os medicamentos agem sobre a mesma proteína no corpo, a SNAP-25, o que pode causar conflitos na sua ação.

É importante ressaltar que os resultados do estudo são baseados em um modelo computacional e ainda precisam de validação em ensaios clínicos diretos. A dermatologista Ana Carolina Sumam reforça que, apesar dos mecanismos propostos serem plausíveis, eles permanecem em fase experimental. Gustavo Novaes, também dermatologista, vê na pesquisa um alerta importante, mas acredita que ainda não há justificativa para alterar as práticas clínicas com base apenas nessas simulações.

As conclusões do estudo realçam a necessidade de um acompanhamento dermatológico cuidadoso, especialmente em relação às interações entre medicamentos e procedimentos estéticos. Com as descobertas ainda em estágio inicial, o diálogo aberto com um dermatologista de confiança se mantém como a melhor estratégia. Plataformas que auxiliam na busca por profissionais qualificados, como a AvaliaMed, podem ser úteis para que os pacientes encontrem dermatologistas alinhados com suas expectativas e necessidades.

Fonte das informações: Toxicon