Mobilização em Brasília celebra o Dia da Amazônia com reivindicações climáticas
Povos tradicionais mobilizam-se em Brasília em homenagem a Chico Mendes no Dia da Amazônia, exigindo proteção territorial e fim da exploração predatória.
No dia 5 de setembro, em comemoração ao Dia da Amazônia, povos do campo, das águas e da floresta realizaram uma mobilização em Brasília. O evento, realizado na tarde do dia 4, teve como objetivo revisitar e honrar o legado de Chico Mendes, símbolo da luta dos povos tradicionais pela proteção da floresta e de seus territórios.
Os manifestantes exibiram mensagens como "Território protegido, Brasil soberano" e "Amazônia livre de petróleo e gás", destacando a "Declaração do Mutirão dos Povos da Amazônia para COP 30: A resposta somos nós". Este documento, construído coletivamente durante o Mutirão dos Povos em Belém, enfatiza a necessidade de coragem e ambição climática para o Brasil e o mundo.
As demandas dos movimentos sociais e indígenas incluem o reconhecimento e proteção dos territórios, o fim da exploração predatória, a consideração da Amazônia como um bem comum da humanidade e a proteção dos povos que cuidam da floresta. A declaração, assinada por 19 organizações, foi entregue aos responsáveis pela COP 30.
Alana Manchineri, assessora internacional da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), afirmou que a luta pela preservação dos recursos naturais é essencial. "Os povos que têm mantido o equilíbrio da Amazônia não aceitarão que ela se torne a nova fronteira dos combustíveis fósseis. A colaboração entre esses povos é fundamental para resolver as questões climáticas atuais", destacou Alana.
Em um cenário global marcado por conflitos, a defesa da soberania popular e territorial é crucial. A declaração enfatiza que, "sem reforma agrária, demarcação, titulação e regularização fundiária, não haverá floresta nem planeta para as próximas gerações". O movimento rejeita também qualquer tentativa de transformar a floresta em um ativo financeiro e a expansão da exploração de petróleo na Amazônia.
Iury Paulino, coordenador nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), reforçou que "defender a Amazônia é defender o Brasil", ressaltando que a soberania é construída com respeito aos territórios e aos povos.
A mobilização em torno da COP 30 foi iniciada em resposta ao chamado dos povos indígenas por uma campanha global em defesa da vida no planeta. Este movimento, intitulado "A Resposta Somos Nós", pede o reconhecimento dos direitos territoriais dos povos indígenas no combate às mudanças climáticas.
Dione Torquato, do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), lembrou a importância da união entre extrativistas, indígenas, ribeirinhos e agricultores, afirmando que "a Amazônia é o coração da soberania brasileira" e que os que a protegem são os povos que nela habitam.
A importância da Amazônia se destaca não apenas pela biodiversidade, mas também pelo seu papel no clima global, sendo lar de mais de 40 milhões de pessoas. No entanto, o bioma enfrenta desafios severos, exacerbados pelas secas históricas de 2023 e 2024, que tornaram a floresta mais vulnerável a queimadas.
Com 80% das emissões globais de gases de efeito estufa resultantes da queima de combustíveis fósseis, torna-se imperativo abandonar esses combustíveis para proteger a Amazônia e o planeta. Cientistas alertam que, se os governos não tomarem medidas drásticas, o aquecimento global pode ultrapassar a meta de 1,5°C ainda nesta década.
A COP 30, que acontecerá no Brasil, representa uma oportunidade crucial para ações ambiciosas na proteção da Amazônia, mas até agora, as respostas dos governos não têm mostrado o comprometimento necessário para essa mudança.