Mercúrio da garimpagem de ouro provoca danos à saúde em Rondônia

Estudos da UNIR mostram que mercúrio do garimpo se transforma em metilmercúrio, acumula-se em peixes e causa danos neurológicos e risco a gestantes.

Mercúrio da garimpagem de ouro provoca danos à saúde em Rondônia

O uso prolongado de mercúrio na extração de ouro em Rondônia provocou impactos significativos na saúde pública da região, segundo estudos conduzidos por pesquisadores da Universidade Federal de Rondônia (Unir) entre 2013 e 2023.

A contaminação humana ocorre principalmente pela ingestão contínua de peixes. O mercúrio metálico lançado nos rios é transformado em metilmercúrio, uma forma orgânica altamente tóxica que não é eliminada facilmente e se acumula nos organismos aquáticos.

Peixes carnívoros apresentam as maiores concentrações de metilmercúrio devido ao processo de biomagnificação, e populações ribeirinhas que dependem do pescado como fonte alimentar estão mais expostas ao risco de envenenamento crônico.

Pesquisas sobre neurotoxicidade indicam que o metilmercúrio atravessa a barreira hematoencefálica, causando perda de coordenação motora, tremores e alterações neurológicas e psiquiátricas, como déficits de memória, depressão, ansiedade e irritabilidade.

Gestantes e crianças são o grupo de maior risco: o mercúrio pode ser transferido da mãe para o feto durante a gestação e para o bebê pela amamentação. Estudos identificaram concentrações perigosas do metal no cabelo e no leite materno de mães de comunidades ao longo do rio Madeira, com consequências no desenvolvimento neuromotor e cognitivo das crianças.

Além dos efeitos neurocomportamentais, pesquisas indicam uma relação entre a presença de mercúrio no organismo e tumores do sistema nervoso central. Em análise de pacientes submetidos a cirurgia de retirada de tumores em Porto Velho, foi observado que a quantidade de mercúrio encontrada nos tumores estava diretamente relacionada às concentrações detectadas no cabelo e no sangue dos mesmos pacientes.

Os estudos citados cobrem diferentes aspectos da contaminação no Amazonas ocidental e apontam para um quadro persistente de exposição ambiental e riscos à saúde das populações locais, especialmente nas áreas de influência do rio Madeira e em serviços de saúde da capital, como o Hospital de Base Dr. Ary Pinheiro.

Fonte da imagem: Reprodução

Fonte das informações: Universidade Federal de Rondônia (UNIR) e pesquisas citadas — Bastos (2015); Azevedo et al. (2019); Santos & Mesquita (2023); Vieira et al. (2013); Parreira (2021)