Sete mil alunos do MedTec em Rondônia ficam sem aulas

Suspensão do contrato do MedTec suspende aulas por mais de uma semana, atingindo 7 mil alunos de áreas rurais, indígenas e quilombolas; Seduc promete revisão.

Sete mil alunos do MedTec em Rondônia ficam sem aulas

Cerca de 7 mil estudantes da rede pública estadual de Rondônia estão sem aulas há mais de uma semana. A interrupção atinge principalmente alunos de áreas rurais, ribeirinhas, terras indígenas e comunidades quilombolas que dependem do Ensino Médio com Mediação Tecnológica.

A paralisação ocorreu após a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) suspender o contrato com a empresa responsável pela operação tecnológica do programa. A suspensão ocorreu poucos dias antes de uma viagem internacional do secretário da pasta, Massud Badra.

Pais, alunos e profissionais da educação cobram providências urgentes e expressam preocupação com prejuízos ao calendário letivo, em especial diante das provas vestibulares e do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

O programa, conhecido como MedTec, foi apresentado pelo governo estadual como uma política para ampliar o acesso ao ensino em localidades de difícil alcance. Funciona de forma híbrida: professores habilitados produzem videoaulas a partir de estúdios e um professor mediador acompanha os alunos presencialmente nas escolas locais.

Professores, pesquisadores e auditorias apontam problemas estruturais desde a implantação do programa em 2016. Após o fim de um convênio com o Instituto Federal de Rondônia (IFRO) em 2019, as transmissões ao vivo via satélite foram substituídas por aulas gravadas entregues em pen drives e discos externos, prática criticada como a "pedagogia do pen drive".

Sem internet nas escolas e com equipamentos antigos ou defeituosos, a interação entre alunos e quem produz as aulas na capital praticamente desapareceu. Para tentar sanar dúvidas, docentes presenciais — muitas vezes sem formação nas disciplinas exatas — passaram a organizar atendimentos improvisados por meio de grupos de mensagens instantâneas.

O programa também foi justificado inicialmente como uma medida de redução de custos com pessoal: a estimativa era investir cerca de R$ 20 milhões na mediação tecnológica em comparação com R$ 41,7 milhões previstos em folha caso houvesse contratação via concurso de professores presenciais.

Ao longo dos anos foram firmados convênios e contratos variados: convênio com o IFRO no valor global de R$ 17,6 milhões; contratos para transmissão via satélite que chegaram a cerca de R$ 1,1 milhão/ano (posteriormente reajustados); contratação de empresa para operar estúdios por cerca de R$ 1,35 milhão; e, após ruptura com o IFRO, contratação direta de produtora privada por aproximadamente R$ 3 milhões. O governo também registrou gastos pontuais de cerca de R$ 1,7 milhão em materiais e equipamentos para as 318 salas que atendem o programa.

A Seduc informou que a viagem do secretário tratou de intercâmbio educacional e que o titular já retornou ao estado. Sobre a interrupção do serviço, a secretaria alegou que o contrato vigente era emergencial, herança da gestão anterior, e que está realizando ajustes administrativos para revisar valores e condições, restabelecer as transmissões com segurança jurídica e repor conteúdos para minimizar prejuízos aos estudantes.

Enquanto as providências administrativas e técnicas são anunciadas, milhares de alunos seguem sem aulas presenciais mediadas por tecnologia, o que alimenta a apreensão sobre perda de aprendizado e impacto nas oportunidades de acesso ao ensino superior.

Fonte da imagem: Reprodução de Assessoria

Fonte das informações: Rondoniaovivo