Rondônia rejeita subsídio ao diesel por falta de margem fiscal
Enquanto diesel cai no país, Rondônia rejeita subsídio federal por risco fiscal de R$81 mi, deixando motoristas e setor agro sem alívio, e expõe fragilidade.
Enquanto o preço do diesel acumula queda de 4,5% no Brasil nas últimas cinco semanas, consumidores de Rondônia seguem sem acesso ao programa federal de subsídio ao combustível após o governo estadual optar por não aderir à medida.
Segundo a Secretaria de Estado de Finanças de Rondônia, a adesão ao subsídio poderia gerar impacto superior a R$ 81 milhões nas contas públicas, comprometendo despesas em áreas consideradas prioritárias, como saúde, educação e segurança pública.
O governo estadual divulgou nota afirmando que a decisão foi tomada com base exclusivamente em critérios fiscais. A posição, porém, provocou críticas e suspeitas de motivação política, especialmente após declarações atribuídas ao Ministério da Fazenda que sugeriram influência ideológica na exclusão do estado.
Ao justificar a recusa pelo risco fiscal, o Executivo estadual deixou explícita uma fragilidade estrutural das finanças públicas locais: a falta de margem orçamentária suficiente para absorver o custo do benefício sem pressionar serviços essenciais.
O movimento tem impacto econômico direto em Rondônia, cuja logística e economia dependem fortemente do transporte rodoviário e do agronegócio. Produtores rurais, caminhoneiros e motoristas enfrentam custos elevados de frete e logística, enquanto outros estados já começam a sentir os efeitos das sucessivas reduções do preço do combustível.
Além de alimentar o debate sobre alinhamentos políticos, a decisão expõe uma questão mais ampla: a dificuldade do estado em participar de políticas públicas de compensação econômica sem causar desequilíbrio fiscal.
A situação também reacende questionamentos sobre a gestão financeira estadual, em especial diante do aumento de arrecadação anunciado pelo governo nos últimos anos e da incapacidade, segundo a própria secretaria de finanças, de acomodar o subsídio sem comprometer prioridades orçamentárias.