Comissao de jornalistas cobra providencias na Camara Porto Velho
Jornalistas e entidades vão à Câmara de Porto Velho segunda (18), às 9h, para exigir apuração e medidas após denúncias de agressões do vereador Marcos Combate.
Nesta segunda-feira (18), às 9h, uma comissão de jornalistas e representantes de entidades de comunicação de Rondônia estará no plenário da Câmara Municipal de Porto Velho para cobrar providências institucionais diante de denúncias envolvendo o vereador Marcos Combate (Avante). A ação ocorre em meio à escalada de casos de violência e ataques ao exercício do jornalismo.
A mobilização reúne a Associação Rondoniense de Jornalistas Digitais (Arjore), o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Rondônia (Sinjor-RO), a Federação Nacional dos Comunicadores (Fenacom), o Grupo União dos Jornalistas e integrantes da Rede Nacional de Proteção a Jornalistas e Comunicadores.
O objetivo do grupo é obter resposta formal da Câmara diante de acusações de agressões físicas, intimidações, ameaças e constrangimentos a profissionais da imprensa, ocorridos dentro e fora das dependências do Legislativo municipal.
O episódio mais recente envolve o jornalista Edval Sheik, proprietário do site Se Liga PVH, que registrou boletim de ocorrência (nº 00077274/2026-A01) relatando ter sido agredido com socos e golpes de capacete dentro da Câmara Municipal.
Documentos apresentados pelas entidades apontam uma sequência de denúncias anteriores contra o parlamentar, incluindo ameaças, injúrias, agressões físicas, intimidação, desacato, violência verbal, relatos de ameaça com arma de fogo, tentativa de intimidar jornalistas, violência doméstica e desacato a policiais militares.
A comissão vai cobrar, entre outras medidas:
- preservação imediata das imagens internas da Câmara referentes ao dia da agressão;
- instauração de procedimento disciplinar por quebra de decoro parlamentar;
- atuação efetiva da Comissão de Ética;
- adoção de medidas concretas para garantir a segurança de jornalistas durante coberturas no Legislativo.
Para representantes das entidades, o caso tem implicações além da integridade física dos profissionais. "Quando um jornalista é agredido dentro da própria Câmara Municipal por causa do seu trabalho, não está em jogo apenas a integridade física de um profissional. O que está em jogo é a liberdade de imprensa, o direito da sociedade à informação e o próprio ambiente democrático", afirmou Zacarias Pena Verde, presidente do Sinjor-RO.
"Não estamos diante de um episódio isolado. O que aconteceu dentro da Câmara é extremamente grave e exige resposta firme das instituições. O silêncio diante disso abre espaço para a naturalização da violência contra jornalistas", acrescentou Yalle Dantas, jornalista e administradora do Grupo União dos Jornalistas.
A comissão espera obter da Câmara medidas imediatas e um posicionamento formal sobre as providências a serem adotadas para apurar os fatos e proteger profissionais da imprensa.