Redução da maioridade penal para 16 anos não reduz a violência
Especialistas dizem que reduzir a maioridade penal para 16 anos não reduz a criminalidade; defendem investimentos em educação e medidas socioeducativas.
Por Bruno Eduardo
A proposta de reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos volta a gerar debates em todo o país. Defensores da medida argumentam que adolescentes de 16 anos têm consciência de seus atos e, portanto, deveriam responder como adultos; críticos apontam riscos práticos e sociais dessa alteração.
Especialistas afirmam que não há evidência de que baixar a maioridade penal reduza a criminalidade. Pesquisas e análises indicam que a violência está vinculada a fatores sociais, econômicos e educacionais, e que punir jovens como adultos não atua nas causas estruturais que os levam ao crime.
O sistema prisional brasileiro enfrenta superlotação e condições inadequadas para ressocialização. Inserir adolescentes nesse contexto pode expor jovens à influência de organizações criminosas e aumentar a probabilidade de reincidência, em vez de promover recuperação.
Atualmente, adolescentes já respondem por atos infracionais por meio das medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), como internação, semiliberdade e prestação de serviços à comunidade. Essas medidas têm objetivo punitivo e de reabilitação, buscando reinserção social.
Além dos riscos do encarceramento precoce, críticos defendem que a redução da maioridade penal não resolve problemas de segurança pública e pode agravar desigualdades. A aplicação de penas adultas a menores pode falhar em alcançar justiça efetiva e proteção social.
Como alternativas mais eficazes, especialistas e organizações propõem investimentos em educação, inclusão social, geração de oportunidades para jovens e o fortalecimento das medidas socioeducativas. Essas ações visam atacar as causas da violência juvenil e promover redução da criminalidade de forma sustentável.
Em suma, a diminuição da maioridade penal para 16 anos é vista por muitos como uma medida insuficiente e potencialmente prejudicial; a ênfase, segundo seus opositores, deveria ser em políticas públicas que previnam a entrada de jovens no crime e favoreçam sua reintegração.