Operacao Reduto apura fraude em contratos na Ale de Rondonia
PF, CGU e MP-RO investigam fraudes, peculato e lavagem na Ale-RO: 19 mandados em RO e AM, dois presos, R$800 milhões em contratos e R$800 mil apreendidos.
Na sexta-feira (10), a Polícia Federal, com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Ministério Público do Estado de Rondônia (MPRO), deflagrou a Operação Reduto na Assembleia Legislativa de Rondônia (Ale-RO) para apurar suspeitas de fraude em licitações, peculato, lavagem de capitais e associação criminosa.
Foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão — nove em Ariquemes (RO), oito em Porto Velho (RO) e dois em Manaus (AM) — e decretadas duas prisões preventivas, ambas em Ariquemes, mediante ordem do Tribunal de Justiça de Rondônia.
Segundo investigação iniciada após alertas do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre movimentações atípicas, a apuração teve contribuição de dados financeiros e quebras de sigilo. Uma fonte ligada ao caso, ouvida sob anonimato, confirmou a sequência das diligências.
Entre os indícios levantados constam contratos da empresa Millennium Locadora, com sede em Manaus, que teria prestado mais de R$ 800 milhões em serviços ao Estado de Rondônia via Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RO) no período investigado. Em Manaus, durante a operação, foram apreendidos mais de R$ 800 mil em espécie.
Investigadores apontam que o aumento do faturamento da empresa em Rondônia estaria sustentado por um esquema sistemático de fraudes em contratos públicos, classificado pelos agentes como práticas de "burla de competitividade" e "burla na dispensa de contratação".
A apuração avançou para o núcleo político a partir da quebra de sigilo do deputado estadual Alex Redano, que teria permitido mapear uma suposta rede de lavagem de dinheiro conectando Porto Velho e Ariquemes.
Com base em quebras de sigilo bancário, a polícia identificou que uma servidora da Prefeitura de Ariquemes, cujo salário lícito era estimado entre R$ 4 mil e R$ 5 mil, recebia repasses da Millennium e repassava valores que chegaram a R$ 4 milhões para contas de terceiros.
Também foram detectados operadores financeiros utilizados como "laranjas" para receber repasses milionários. Entre os citados com prisão preventiva decretada estão o secretário-geral da Ale-RO, Rogério Gago, e um homem identificado pelo prenome Reginaldo, conhecido no esquema como "Negão Biscoito".
As defesas de Alex Redano, de Rogério Gago e de Reginaldo foram procuradas para se manifestarem; o espaço permanece aberto para eventual posicionamento.