Disputa em Rondônia marcada por rejeição e falta de estrutura
Sete candidatos disputam o governo de Rondônia; Marcos Rogério lidera, mas enfrenta rejeição em Porto Velho (que concentra 30% do eleitorado).
Em contexto histórico, o voto obrigatório no Brasil já conviveu com períodos sem eleições, como durante o Estado Novo e o regime militar (1964–1985). A Constituição de 1988 restabeleceu a democracia plena e instituiu eleições em todos os níveis, mas a presença de pleitos não elimina limites constitucionais ao poder dos eleitos nem a complexidade de problemas sociais de longo prazo.
Atualmente, a atuação dos governantes é condicionada por normas federais, estaduais e municipais, e decisões administrativas e legislativas podem ser contestadas judicialmente. Entre os desafios que fogem ao alcance de promessas eleitorais e de decisões judiciais está o envelhecimento da população, problema que demanda políticas públicas contínuas e recursos, e não soluções imediatas de campanha.
No estado de Rondônia, sete pré-candidatos ao governo se aproximam das convenções partidárias de julho e planejam a disputa de outubro. A corrida eleitoral apresenta obstáculos variados para cada postulante, com ênfase nas dinâmicas entre capital e interior e nas negociações de alianças.
O senador Marcos Rogério (PL) é apontado como favorito, mas enfrenta alta rejeição entre eleitores de Porto Velho, cidade que concentra cerca de 30% do eleitorado estadual. Para minimizar esse problema, busca uma aliança com o atual prefeito da capital, Leo Moraes, que pode indicar o vice da chapa.
Adailton Fúria (PSD), ex-prefeito de Cacoal e candidato identificado como chapa-branca em relação ao governo estadual, também tem dificuldades em Porto Velho. A campanha evita a presença frequente do governador Marcos Rocha nos primeiros encontros na capital, e a atuação do coordenador Expedito Júnior — pai do also candidato Expedito Neto — tem sido apontada como um fator complexificador. Fúria escolheu o comunicador Everton Leoni para a vice-presidência da chapa, estratégia destinada a ampliar visibilidade e neutralizar desgastes políticos.
Hildon Chaves, ex-prefeito que disputa pela Federação Progressista (união entre União Brasil e PP), enfrenta o desafio de interiorizar sua candidatura. Como dois terços do eleitorado estão no interior do estado, sua campanha precisa ampliar presença fora da capital para disputar uma vaga no segundo turno. A falta de posicionamento claro como governista ou opositor pode comprometer sua identidade perante o eleitorado.
Expedito Neto (PT) tem tentado construir uma imagem conservadora, mas encontra dificuldades para disputar esse eleitorado com candidatos com perfil mais alinhado ao conservadorismo. Além disso, a possibilidade de aliança com o PSD de Adailton Fúria, articulada por seu pai, gera desconfiança entre eleitores e dificulta a consolidação de apoio entre os setores mais à esquerda.
Outros candidatos, como Samuel Costa (PSB-Porto Velho) e Luís Carlos Teodoro (PSOL-Porto Velho), enfrentam limitações de recursos e estrutura para competir em pé de igualdade com as coligações maiores. Pedro Abib (MDB) dispõe de uma organização partidária mais robusta — o MDB tem histórico de vitórias reverterem cenários —, mas sua candidatura é tratada como incerta por analistas e eleitores.
Nos bastidores, há avaliação de que, caso Adailton Fúria não se consolide até as convenções, o governador Marcos Rocha poderá buscar aliança com Hildon Chaves. Paralelamente, o senador Marcos Rogério vem se posicionando como principal opositor do atual governo estadual. Everton Leoni, na condição de vice de Fúria, intensifica aparições na mídia para expor propostas, enquanto líderes regionais, como Ivo Cassol e Leo Moraes, ainda não definiram apoios para a disputa de 2026.