Prédio do Relógio em Porto Velho simboliza preservação cultural e histórica
O Prédio do Relógio, inaugurado em 1950, é um ícone da história e cultura de Porto Velho, simbolizando a preservação do patrimônio e da identidade local.
O Prédio do Relógio, em Porto Velho, representa a herança histórica e cultural da cidade e é fundamental na formação da identidade cultural local. Inaugurado em 15 de janeiro de 1950, foi erguido para abrigar a administração da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM) e simboliza o esforço dos pioneiros na construção do município.
O projeto do prédio, concebido nos anos 40 pelo arquiteto Armando Costa, tem um formato estilizado de uma locomotiva e se destaca pelo estilo Art Déco, sendo um dos mais antigos e representativos daquela época em Porto Velho. Possui dois pavimentos e uma área construída de 1.500 metros quadrados, refletindo a modernidade da primeira metade do século XX. O historiador Aleks Palitot destaca que a estrutura foi projetada com elementos que remetem diretamente a uma locomotiva.
Localizado na esquina das avenidas Farquar e Sete de Setembro, próximo ao Complexo Madeira-Mamoré, o Prédio do Relógio abriga uma torre com um relógio, que serviu por muitos anos como referência horária para os habitantes da cidade, originando seu nome popular. O relógio, de fabricação francesa da marca Jacques Perret, foi comprado em 1949 e ligado a um sino que soava a cada quinze minutos.
O relógio possui inscrições dos nomes do governador do antigo Território e do diretor da EFMM, que participaram de sua inauguração. A ferrovia associada ao prédio também se fazia ouvir com sua sirene anunciando os inícios e finais de jornada de trabalho. Após um período de inatividade, o mecanismo foi recentemente substituído e o relógio voltou a funcionar após mais de 20 anos.
Outro elemento marcante da arquitetura do prédio são os vitrais na entrada principal, que simbolizam os ciclos econômicos da região. Os vitrais coloridos retratam a ferrovia de Porto Velho a Guajará-Mirim, o rio Madeira, a flora e fauna da Amazônia, além de representações de indígenas e seringueiros, junto à imagem de uma locomotiva. Um vitral adicional no andar superior retrata o percurso da ferrovia e aspectos do mundo amazônico.
O Prédio do Relógio também abriga uma galeria com fotografias dos prefeitos e administradores de Porto Velho, iniciando com Major Fernando Guapindaia, quando a cidade ainda pertencia ao Amazonas, e seguindo com os prefeitos do Território Federal do Guaporé e os governantes da cidade como capital de Rondônia, em uma sequência cronológica.
Após deixar de ser sede da EFMM, o prédio teve diversas utilizações ao longo dos anos. Em 1981, tornou-se a sede do Banco do Estado de Rondônia (Beron) e, em 1996, abrigou a Fundação Cultural e Turística (Funcetur). Em anos recentes, passou por uma restauração e agora é sede da Biblioteca Pública Estadual Dr. José Pontes Pinto, do Centro de Documentação Histórico, além de museus do Estado de Rondônia e o Museu Geológico. Desde 2019, o Prédio do Relógio é oficialmente a sede da Prefeitura de Porto Velho e da Secretaria-Geral de Governo (SGG).