Guajará Mirim gasta meio milhão em festa e ignora serviços
Guajará-Mirim celebra aniversário com investimentos em festa enquanto serviços públicos se deterioram; denuncia má gestão, clientelismo e apela por mudança.
Guajará-Mirim, cidade na fronteira com a Bolívia, completou 97 anos no dia 10, mas a data foi marcada por contrastes entre comemoração e problemas estruturais que persistem na rotina dos moradores.
Historicamente ligada aos rios Madeira e Mamoré e a trajetórias de pioneiros que ajudaram a fundar a cidade, Guajará-Mirim mantém memórias de um tempo em que a vida seguia ao ritmo das aguadas e do trem que cortava a Baixa da União. Essas referências convivem hoje com um cenário de degradação urbana e serviços públicos insuficientes.
Moradores e observadores apontam falhas recorrentes em infraestrutura: ruas com buracos, saneamento incompleto e serviços básicos que não atendem à demanda. A percepção é de uma gestão que prioriza ações episódicas em vez de planejamento contínuo, deixando áreas essenciais sem manutenção adequada.
Em meio a essa realidade, a administração municipal destinou recursos a eventos festivos. Segundo relatos, foram gastos cerca de quase meio milhão de reais em comemorações, um montante que, para críticos, ilustra a opção por visibilidade política em detrimento de investimentos em serviços permanentes.
A presença ostensiva de autoridades em eventos festivos, com fotos e discursos, contrasta com a ausência em ações cotidianas de gestão. Essa prática alimenta a percepção de política performativa: visibilidade nos palcos e silêncio nos problemas diários.
Há também críticas referentes ao uso de recursos públicos em benefício privado. Fontes locais citam casos que, segundo reclamações, denotam falta de controle e de transparência, agravando a sensação de que o interesse público fica em segundo plano.
Além da responsabilidade dos gestores, especialistas e lideranças locais destacam o papel do eleitorado nas escolhas políticas. Votações repetidas e cobranças pouco incisivas são apontadas como fatores que reforçam a manutenção de práticas administrativas consideradas inadequadas.
Para segmentos da sociedade civil, a saída passa por prioridades claras: maior investimento em infraestrutura básica, planejamento de longo prazo, transparência na aplicação dos recursos públicos e construção de uma cultura de prestação de contas que envolva eleitores e representantes.
No balanço, a celebração dos 97 anos ficou marcada pela crítica à gestão municipal e pelo apelo por mudanças capazes de transformar o simbolismo histórico da cidade em políticas concretas de melhoria da qualidade de vida.