Audiência pública discute desestatização da Hidrovia do Rio Madeira em Brasília
A audiência pública sobre a desestatização da Hidrovia do Rio Madeira, marcada para 2 de outubro, reunirá diversos setores para discutir investimentos essenciais e melhorias na logística da região.
A audiência pública sobre a desestatização da Hidrovia do Rio Madeira será realizada no dia 02 de novembro, às 8h30, na Comissão de Infraestrutura da Câmara dos Deputados. A iniciativa foi convocada pelos deputados federais Sílvia Cristina e Thiago Flores e contará com a participação de representantes de diversos setores da economia que seriam impactados pela logística da hidrovia.
A deputada Sílvia Cristina destacou que o evento, que terá formato presencial e remoto, visa expandir os debates sobre a hidrovia do Madeira e convida toda a sociedade para participar e esclarecer dúvidas relacionadas ao tema.
Gilberto Baptista, superintendente da Federação da Indústria do Estado de Rondônia (Fiero), expressou a importância de transformar o rio Madeira em uma hidrovia efetiva para fortalecer a logística regional. Ele enfatizou que a concessão é um caminho natural, porém salientou a necessidade de uma avaliação cuidadosa do processo para evitar oneração e prejuízos aos usuários da hidrovia.
Embora o rio Madeira seja considerado navegável, Gilberto apontou que ainda há muito a ser feito para que se torne uma hidrovia no verdadeiro sentido, como a implementação de sinalização, batimetria, dragagem e remoção de pedras do canal de navegação. Todos esses investimentos são essenciais para a navegação contínua ao longo do ano, sem aumento significativo nos custos logísticos.
O rio Madeira é fundamental para o escoamento da produção agrícola de Rondônia e do noroeste mato-grossense, incluindo grãos e combustíveis. No entanto, a navegabilidade não é garantida durante todo o ano, principalmente no período de seca, o que afeta diretamente a logística e os custos de transporte. Com a melhoria da hidrovia, esses problemas poderiam ser resolvidos.
Apesar de Rondônia ser um dos maiores exportadores de carne bovina do Brasil, a produção não é escoada pelo rio Madeira, sendo direcionada para portos em Santos ou Itajaí. A perecibilidade da carne torna inviável depender de um transporte que pode sofrer interrupções. A efetivação da hidrovia poderia proporcionar uma alternativa segura e eficiente para a exportação.
Gilberto também lembrou que, durante a privatização da Eletrobras, foi garantido que parte dos recursos seria destinada à implementação da Hidrovia do Madeira. Ele ressaltou a importância de que esses recursos sejam realmente aplicados nas obras necessárias para garantir um custo acessível de transporte de cargas pelo Madeira, lembrando que apenas grandes embarcações serão cobradas.
Por fim, Gilberto expressou otimismo em relação à execução do projeto, que deverá atender as necessidades de Rondônia sem onerar os custos logísticos de forma agressiva. Ele reiterou que o fortalecimento da região como um hub logístico depende de investimentos adequados para garantir o transporte contínuo de cargas ao longo do ano.