Zebras eleitorais podem surpreender nas eleições 2026 em Rondônia
Lidar começa a revelar espécies 'invisíveis' na Amazônia; paralelamente, a navegação segue insegura e Rondônia tem eleições 2026 com possíveis surpresas.
O ditado popular "macaco velho não mete a mão em cumbuca" refere-se ao cuidado de animais experientes ao lidar com armadilhas, mas também se aplica a uma espécie real da Amazônia conhecida pela discrição: o macaco-velho. Arbóreo, de movimentos lentos e difícil observação no solo, o animal costuma passar despercebido mesmo por quem conhece a floresta.
Com o avanço da tecnologia e a intensificação das pesquisas de campo, espécies antes consideradas "invisíveis" começam a ser detectadas. Entre as ferramentas que ajudam nesse processo destaca-se o Lidar (Light Detection and Ranging), um sensor remoto capaz de mapear a estrutura da vegetação e revelar organismos e microhabitats escondidos no dossel amazônico.
Mais de quatro décadas após os dois grandes naufrágios que marcaram a navegação na Amazônia — com as tragédias dos navios Novo Amapá e Sobral Santos 2, cada um com quase 400 vítimas — a travessia fluvial na região Norte ainda apresenta problemas estruturais. Persistem práticas como superlotação de passageiros e cargas, a ocorrência de acidentes em embarcações menores, episódios recentes de assaltos a cargas por piratas e a insuficiência de fiscalização.
Estados da Região Norte, como Amazonas, Pará e Amapá, dependem fortemente dos rios como meio de transporte. Rondônia também utiliza as hidrovias, mas conta com uma malha viária rodoviária mais consolidada, o que reduz em parte essa dependência.
Nas eleições de 2026 em Rondônia, analistas políticos alertam para a possibilidade de surpresas eleitorais, as chamadas "zebras". Em mais de quatro décadas de observação da política local, muitas candidaturas consideradas vitoriosas no papel sofreram reviravoltas durante a apuração, tornando os pleitos estaduais imprevisíveis.
Recorda-se, por exemplo, da disputa pelo governo em meados da década de 1980, quando alianças e mudanças no cenário nacional influenciaram resultados locais e levaram a deslocamentos de forças políticas. Episódios de alternância no poder se repetiram nas eleições seguintes, evidenciando a volatilidade das preferências eleitorais em Rondônia.
Em pesquisas de opinião recentes, o ex-governador Daniel Pereira aparece como uma figura bem identificada com o funcionalismo público do estado. Pereira assumiu o governo como vice do então governador Confúcio Moura quando este se afastou para disputar o Senado; concluiu o mandato tampão e não retomou a carreira eleitoral. Sua trajetória política começou em Cerejeiras e manteve forte respaldo no Cone Sul rondoniense.
As sondagens eleitorais no estado também mostram contradições. Uma enquete aponta até 80% de rejeição ao governo de Marcos Rocha, enquanto outra indica cerca de 30% de intenção de voto para o candidato apoiado pelo mesmo governador. Somadas as diferentes medições, Marcos Rogério surge na liderança geral, embora não com vantagem absoluta. Regionalmente, nomes como Adailton Fúria aparecem com desempenho destacado na Região do Café e Zona da Mata, e o ex-prefeito Hildon Chaves figura em posição de força na capital. Demais candidaturas enfrentam dificuldades iniciais para decolar.
No âmbito nacional, figuras como Aécio Neves ainda não confirmaram formalmente eventual candidatura à Presidência, apesar de aparecerem em levantamentos de intenção de voto. O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) tem atraído apoio entre goianos residentes em Rondônia, reforçando a percepção de que conquistas na área de segurança pública em um estado geram expressão política entre migrantes e comunidades com laços regionais. Em Rondônia, segurança e saúde pública são setores frequentemente apontados como os mais problemáticos pela população.