Juiz libera contrato bilionário da Sesau Rondônia com UNI SOS

Juiz revoga liminar e libera análise do contrato bilionário da Sesau com UNI SOS; técnicos apontam inconsistências e risco de colapso no atendimento do interior.

Juiz libera contrato bilionário da Sesau Rondônia com UNI SOS

Uma decisão judicial do juiz Edenir Sebastião Albuquerque da Rosa, da 2ª Vara de Fazenda e Saúde Pública de Porto Velho, derrubou a liminar que mantinha suspenso o contrato bilionário entre a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) de Rondônia e a empresa UNI SOS. Com a medida, a análise do processo retornou à administração estadual, provocando apreensão entre servidores técnicos.

No fim de fevereiro, a juíza plantonista Juliana Paula Silva da Costa havia bloqueado a contratação ao apontar risco de tratamento desigual entre as empresas concorrentes. Com a nova autorização, o trâmite interno passou a avançar novamente, mesmo diante de ressalvas apontadas por órgãos de controle.

Equipes técnicas da Sesau relataram que processos antes retidos para revisão detalhada começaram a tramitar com rapidez. A Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e o Ministério Público de Rondônia (MP-RO) já analisaram o material e identificaram inconsistências na proposta da UNI SOS, vencedora da concorrência pelo critério do menor preço.

Entre as principais suspeitas está a distância entre a sede administrativa da empresa, registrada em Candeias do Jamari, e a maior parte dos atendimentos previstos em Porto Velho e em municípios do interior, como Cacoal, Buritis e São Francisco do Guaporé. A discrepância entre o local de registro e a área de atuação levanta dúvidas sobre a capacidade operacional da contratada.

Especialistas também questionam o valor atribuído à frota: a proposta prevê ambulâncias avaliadas em R$ 145 mil cada. Esse montante, segundo profissionais do setor, pode ser insuficiente para garantir equipamentos no padrão operacional exigido, aumentando o risco de sucateamento rápido, dificuldade de reposição de peças e ausência de seguro adequado.

O aspecto mais sensível, porém, é a redução dos valores destinados a plantões médicos e adicionais pagos a profissionais de saúde. Cortes na remuneração afetam sobretudo municípios mais distantes, onde já é difícil manter equipes completas, e elevam o risco de interrupção dos serviços em localidades com carência de profissionais.

Mesmo com os alertas da PGE, do MP-RO e das equipes técnicas da Sesau, a decisão final cabe à cúpula da saúde estadual, que deve avaliar se assina o contrato e autoriza a continuidade da contratação com a UNI SOS.

Fonte da imagem: Reprodução

Fonte das informações: Rondoniaovivo