Porto Velho discute cargos de interpretes e professores bilingues
Em Porto Velho, reunião debateu criação de cargos de intérpretes de Libras e professores bilíngues, priorizando contratação local e ampliação do passe livre.
No dia 23 de abril, no Plenarinho da Câmara Municipal de Porto Velho, servidores do gabinete do vereador Thiago Tezzari, representantes da Secretaria Municipal de Inclusão e Assistência Social (SEMIAS) e membros da Associação dos Surdos de Porto Velho (ASPVH) reuniram-se para discutir mudanças legislativas voltadas à garantia de direitos e à inclusão da comunidade surda no município.
O presidente da ASPVH, Danilo Ramos, destacou a necessidade de priorizar a contratação de intérpretes de Libras residentes em Porto Velho, criticando a possibilidade de a prefeitura contratar empresas de outros estados. Segundo a associação, terceirizações externas desrespeitariam a capacidade técnica dos profissionais locais e representariam retrocesso nas políticas de inclusão.
Entre as reivindicações centrais esteve a criação de cargos efetivos de intérpretes de Libras e de professor bilíngue. Os participantes sustentaram que a inclusão efetiva nos serviços públicos depende da existência de um quadro funcional estável e especializado, condição considerada essencial para garantir acesso adequado à saúde, educação e assistência social, e para eliminar barreiras comunicacionais já reconhecidas como ilegais.
O gabinete do vereador Thiago Tezzari reafirmou o compromisso com a causa e registrou avanços recentes no diálogo com a Secretaria Municipal de Segurança e Transporte em relação ao passe livre no transporte coletivo. Foi acordado que o benefício deve ter seu período de vigência ampliado e ser desvinculado da exigência de exames e consultas médicas anuais para reavaliação em casos de surdez irreversível, medida que reduziria burocracia e aumentaria dignidade para os beneficiários.
Os presentes reconheceram tanto progressos quanto desafios estruturais que demandam ações imediatas do poder público. Ficou claro que mudanças legislativas e administrativas são necessárias para transformar normas em práticas cotidianas que garantam acessibilidade e participação plena da comunidade surda.
Ao final, foi firmado compromisso de trabalho conjunto entre as partes. No próximo encontro, já agendado, a pauta será retomada com foco na elaboração formal de uma proposta de criação dos cargos demandados, que será encaminhada ao Poder Executivo municipal, na expectativa de que a articulação política e a escuta ativa resultem em políticas públicas duradouras.
Porto Velho aposta no diálogo e no planejamento como instrumentos para avançar na inclusão, com a participação direta dos protagonistas da luta por direitos.