Audiencia publica discute regularizacao fundiaria em Porto Velho

Audiência pública em Rondônia reuniu comunidades e autoridades para encaminhar regularização fundiária em Porto Velho, com comissão, ZEIS e recursos previstos.

Audiencia publica discute regularizacao fundiaria em Porto Velho

Centenas de moradores de várias comunidades de Porto Velho participaram de uma audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de Rondônia para debater a regularização fundiária no município.

A iniciativa foi do deputado Ribeiro do Sinpol (PRD), que articulou o encontro com a presença de deputados, vereadores, representantes do Judiciário, da Defensoria Pública, lideranças comunitárias e especialistas em regularização fundiária.

O objetivo central da audiência foi buscar soluções para conflitos fundiários que se arrastam há mais de uma década e afetam comunidades consolidadas, muitas com mais de 10 anos de ocupação.

Na mesa de autoridades estiveram, entre outros, David Inácio dos Santos Filho, secretário de Estado de Patrimônio e Regularização Fundiária (SEPAT); o Dr. Jaires Taves Barreto, representando a Defensoria Pública do Estado de Rondônia; o advogado Eduardo Guimarães Borges; e Renan Gomes Maldonado de Jesus.

Relatos de moradores e técnicos apontaram insegurança jurídica, ausência de regularização e risco de reintegração de posse em áreas como Porto Cristo, Planalto, Monte Sinai, Cascalheira, Aparecida e Terra Prometida, localizadas ao longo da BR-319.

Foi destacado que muitas dessas áreas já apresentam características urbanas — rede elétrica, coleta de lixo, trechos pavimentados e até pagamento de IPTU — mas permanecem em situação irregular diante de litígios antigos, alguns com mais de 15 anos, e entraves administrativos.

Entre os problemas apontados estão a falta de levantamentos mercadológicos atualizados, indefinições sobre titularidade das terras e demora na tramitação de processos administrativos que poderiam viabilizar a regularização.

No campo das propostas, foram discutidas medidas técnicas e jurídicas, como a aplicação da Regularização Fundiária Urbana (Reurb), enquadramento como Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS) previsto no Estatuto da Cidade, além de dispositivos da Medida Provisória nº 2.220/2001 e do Estatuto da Terra.

Especialistas e lideranças observaram que o enquadramento como ZEIS e a adoção de critérios técnicos podem reduzir significativamente os valores atribuídos às áreas, considerando investimentos públicos já realizados e a função social da propriedade, o que tornaria a regularização mais viável financeiramente.

Também foram citadas a necessidade de articulação com órgãos federais, como a Secretaria do Patrimônio da União (SPU), em áreas sob domínio federal, e a atuação coordenada entre município, Estado e órgãos responsáveis pela regularização.

Na esfera financeira, o deputado Eyder Brasil (PL) se comprometeu a destinar R$ 500 mil em emenda. Vereadores presentes explicaram o funcionamento das emendas parlamentares municipais e indicaram disponibilidade de recursos, apesar da obrigatoriedade de destinação mínima para a saúde.

Ao final da audiência foram definidos encaminhamentos estratégicos: criação de uma comissão com representantes das comunidades, parlamentares e instituições públicas para acompanhar processos, a realização de levantamentos mercadológicos nas áreas ainda não avaliadas e a busca de recursos em âmbito estadual e federal.

O deputado Ribeiro reafirmou o compromisso de apoiar institucionalmente as demandas e de articular ações entre os poderes para avançar na regularização das áreas afetadas.

Fonte da imagem: Assessoria

Fonte das informações: Assessoria