Temor de invasao militar na Amazonia e paranoia que desvia foco
Editorial desmonta temores de invasão militar estrangeira na Amazônia, critica teorias conspiratórias e faz um panorama das convenções e candidaturas em Rondônia.
Debates sobre uma suposta ocupação militar estrangeira na Amazônia voltaram a ganhar espaço em redes sociais e conversas públicas, alimentando antigas narrativas nacionalistas. A ideia remonta a temores históricos e ressurgiu em episódios como a afirmação atribuída ao então senador norte-americano Al Gore em 1989 e à circulação de um mapa falso que indicava a “internacionalização” da floresta.
Pesquisas e apurações indicam que versões alarmistas são infundadas: uma ocupação militar estrangeira enfrentaria custos elevados e repúdio internacional, e seria desnecessária do ponto de vista econômico, pois os recursos amazônicos podem ser acessados por países e empresas por vias comerciais e contratuais. Ao mesmo tempo, a região enfrenta problemas concretos, como mineração ilegal e exploração predatória de recursos, que exigem resposta efetiva do governo.
Na agenda política estadual, as convenções partidárias previstas para julho devem homologar as chapas para governador e vice, além de candidaturas ao Senado, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa. Nos últimos movimentos, o senador Confúcio Moura (MDB) anunciou o apoio ao professor Pedro Abib como candidato ao governo e confirmou que buscará mais um mandato no Senado.
O ex-governador Ivo Cassol (PP) alinhou-se à candidatura do ex-prefeito de Cacoal Adailton Fúria (PSD), numa coalizão que conta com o apoio do governador Marcos Rocha. Ao todo, há sete candidaturas registradas para a disputa estadual, e pelo menos dois nomes podem compor as chapas como candidatos a vice.
O ex-senador Acir Gurgacz (PDT) confirmou disposição de disputar uma vaga ao Senado e tem apresentado suas propostas em rádios de maior audiência na capital. Gurgacz destacou sua experiência legislativa — incluindo a presidência da Comissão de Infraestrutura no Senado — e afirmou que continua atuando em Brasília para viabilização de recursos para municípios de Rondônia.
A Federação entre União Brasil e Partido Progressista estruturou uma das chapas consideradas equilibradas para a disputa à Câmara dos Deputados, com o ex-prefeito de Porto Velho Hildon Chaves como candidato ao governo. Entre os nomes citados para a bancada federal estão Mauricio Carvalho, Thiago Flores, a vereadora Elis Regina, Celio Lopes e o ex-prefeito de Ji-Paraná Jesualdo Pires.
Da atual bancada federal, Silvia Cristina (Ji-Paraná) e Fernando Máximo (Porto Velho) não deverão concorrer à reeleição à Câmara, pois estão na disputa por vagas ao Senado. Outros seis parlamentares buscam reeleição: Mauricio Carvalho, Cristiane Lopes, Coronel Chisostomo, Thiago Flores, Rafael Fera e Lúcio Mosquini. Mosquini aparece em situação mais confortável; Fera e Cristiane Lopes são apontados como mais vulneráveis.
No Cone Sul de Rondônia, a entrada da empresária Sandra Bagatoli na disputa à Câmara dos Deputados, com apoio do senador Jaime Bagatoli (PL-Vilhena), tende a fragmentar votos em uma região historicamente dominada por clãs políticos. A área já elegeu nomes como Rediário Cassol e Natan Donadon, mas não envia um deputado federal há mais de vinte anos.
Entre as principais candidaturas locais destacam-se nomes dos grupos Donadon, Neiva de Carvalho e Bagatoli. O deputado estadual Ezequiel Neiva surge como um dos postulantes com maior potencial de votação, embora haja risco de impugnação de sua elegibilidade.
Em outras pautas regionais, o setor leiteiro vive declínio: o Brasil perdeu cerca de 200 mil produtores de leite na última década, e Rondônia também enfrenta crise no segmento. A Assembleia Legislativa local instalou uma CPI para apurar as causas das dificuldades enfrentadas pelos produtores.
Paralelamente, as atividades legislativas no Congresso Nacional sofreram redução de ritmo em função da Copa do Mundo, com parlamentares aproveitando o período para intensificar visitas às bases eleitorais, muitos deles como pré-candidatos a reeleição ou a cargos majoritários. Nas capitais, autoridades e serviços sociais também registram aumento no número de pessoas em situação de rua, incluindo deslocamentos do interior para Porto Velho.