Rondonia amplia vagas para mulheres negras e mantem desigualdade salarial

Relatório mostra que Rondônia, em dez/2025, tinha 287 empresas (100+) e 81 mil vínculos; mulheres ganhavam R$2.750,11 em média, 20,8% menos que homens.

Rondonia amplia vagas para mulheres negras e mantem desigualdade salarial

O Painel do Relatório de Transparência Salarial e o 5º Relatório Nacional de Igualdade Salarial foram divulgados em 27 de abril de 2026 pelo Ministério do Trabalho e Emprego e pelo Ministério das Mulheres. Em Rondônia, os dados mostram que, em dezembro de 2025, havia 287 estabelecimentos com 100 ou mais empregados, responsáveis por 81 mil vínculos empregatícios.

Desses vínculos, 30,8 mil eram ocupados por mulheres — 22,7 mil por mulheres negras (73,9%) e 8 mil por mulheres não negras (26%). Os homens empregados nessas mesmas empresas somavam 50,5 mil, sendo 39 mil negros (77,3%) e 11,4 mil não negros (22,6%).

Na remuneração média desses estabelecimentos em Rondônia, as mulheres receberam R$ 2.750,11 em dezembro de 2025, contra R$ 3.471,46 dos homens. Entre as mulheres, a renda média das negras foi de R$ 2.599,11 e a das não negras de R$ 3.179,82. Entre os homens, o rendimento médio dos negros foi de R$ 3.286,59 e o dos não negros de R$ 4.115,96.

O relatório aponta avanço nacional do emprego formal em 2025 com destaque para a ampliação da participação feminina, principalmente de mulheres negras em grandes empresas. O número de mulheres pretas e pardas empregadas em estabelecimentos com 100 ou mais trabalhadores cresceu 29% entre 2023 e 2025, de 3,2 milhões para 4,2 milhões — mais de 1 milhão de novas contratações formais. No total, o emprego de mulheres passou de 7,2 milhões para 8,0 milhões (11%), um aumento de 800 mil vagas.

Apesar do avanço na inclusão produtiva, o relatório evidencia que a desigualdade salarial persiste. No Brasil, em 2025, as mulheres receberam em média 21,3% a menos que os homens no setor privado com 100 ou mais empregados, percentual superior ao verificado em 2023 (20,7%). No momento da admissão, o salário médio das mulheres ficou cerca de 14,3% abaixo do dos homens (ante 13,7% em 2023).

Em Rondônia, o painel também levantou a adoção de políticas de incentivo à contratação de mulheres. O estado conta com 34,2% dos estabelecimentos com 100 ou mais empregados que declararam alguma política nesse sentido. Entre esses estabelecimentos, 3,3% informaram políticas voltadas a mulheres vítimas de violência doméstica; 10,4% a mulheres LGBTQIAP+; 27,1% a mulheres com deficiência; e 27,9% a mulheres negras.

As autoridades ressaltaram a necessidade de aprofundar medidas além da equiparação salarial. A ministra das Mulheres destacou que igualdade salarial envolve a função exercida, as condições de trabalho e o cumprimento de direitos, e que é preciso mobilizar instâncias federativas e entidades para enfrentar barreiras culturais e institucionais.

O ministro do Trabalho e Emprego afirmou que a luta pela igualdade deve considerar também a promoção nas carreiras, observando que a valorização da mulher na ascensão profissional é parte essencial do processo de igualdade.

A ministra da Igualdade Racial afirmou que o relatório é instrumento importante para orientar políticas públicas e ações afirmativas, e para acompanhar avanços na remuneração das mulheres, com destaque para a necessidade de reduzir a defasagem que ainda afeta especialmente as mulheres negras.

O levantamento, baseado na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), mostra ainda que o número de empresas com 100 ou mais empregados no país cresceu 5,5% entre 2023 e 2025, de 50,7 mil para 53,5 mil. No período, o emprego formal nesses estabelecimentos aumentou 7%, de 18 milhões para 19,3 milhões, com maior intensidade nas empresas com mais de dois mil empregados (11,2%) e entre mil e dois mil empregados (8,2%). O salário médio registrado foi de R$ 4.594,89, enquanto o salário contratual mediano foi de R$ 2.295,36.

O relatório também quantifica a dimensão econômica da desigualdade: para que a massa de rendimentos das mulheres correspondesse à sua participação no emprego formal (41,4%), seria necessário ampliar em R$ 95,5 bilhões por ano a remuneração feminina — um incremento que elevaria em mais de 10% a massa total de rendimentos do país.

As diferenças salariais variam conforme o porte das empresas. Em estabelecimentos com até 250 empregados, a remuneração de admissão das mulheres se aproxima mais da dos homens, atingindo cerca de 90% de equivalência. Nas empresas de maior porte, onde os salários são mais elevados, a distância remuneratória permanece mais acentuada.

Houve avanços na presença feminina em cargos de liderança e na adoção de políticas afirmativas. O número de estabelecimentos com mulheres em cargos de gerência e direção em quantidade suficiente para cálculo de paridade salarial cresceu 12%, alcançando 13,7 mil empresas. Observou-se também aumento no número de empresas que dizem promover mulheres e apoiar políticas de parentalidade. Entre as iniciativas afirmativas, 7% dos estabelecimentos relataram políticas de contratação de mulheres vítimas de violência, com destaque para Minas Gerais e Espírito Santo; empresas com mais de mil empregados concentram maior adoção dessas medidas.

Fonte das informações: Painel do Relatório de Transparência Salarial; 5º Relatório Nacional de Igualdade Salarial — Ministério do Trabalho e Emprego; Ministério das Mulheres