Bancos são condenados a indenizar clientes por empréstimos não autorizados
Decisões judiciais em Rondônia anulam empréstimos não autorizados e garantem indenizações a consumidores. Relatos destacam a falta de documentação dos bancos.
Vários consumidores que foram vítimas de empréstimos não autorizados conseguiram decisões favoráveis contra bancos. Juízes do Tribunal de Justiça de Rondônia tornaram públicas, nesta quarta-feira (25), decisões que anulam contratos e determinam indenizações por danos morais a clientes de Porto Velho, Ariquemes e Ji-Paraná, que afirmam ter sofrido descontos indevidos sem ter solicitado ou assinado qualquer autorização.
Nos processos ajuizados, os bancos não apresentaram documentos que comprovassem a aceitação dos empréstimos pelos clientes. De acordo com a legislação vigente, cabe às instituições financeiras a responsabilidade de provar que a contratação foi realizada de forma legítima. Quando os bancos falham em mostrar contratos assinados ou outras evidências válidas, a cobrança é considerada nula.
Ao cancelarem as dívidas, os juízes determinaram que os valores descontados indevidamente sejam restituídos e que as instituições financeiras paguem compensações financeiras pelas dificuldades enfrentadas pelos consumidores.
Um aspecto preocupante desse cenário é que muitas das vítimas são idosos e pensionistas, cujo dinheiro é mensalmente retirado diretamente de seus benefícios. Os extratos bancários frequentemente apresentam esses descontos com nomes de taxas ou abreviações, dificultando a identificação por parte dos clientes.
Em uma pesquisa realizada no ano passado pelo DataSenado, constatou-se que os jovens entre 16 e 29 anos são, de fato, o grupo mais afetado, representando 27% das vítimas, enquanto a faixa etária acima de 60 anos, considerada mais vulnerável, compõe apenas 16% desse total. Marcos Ruben de Oliveira, coordenador do Instituto DataSenado, ressalta que os dados não evidenciam que os idosos são mais suscetíveis a golpes, mesmo com uma maior participação dos jovens na população.
Para proteger-se, os consumidores devem seguir algumas orientações: consultar regular e detalhadamente os extratos de seus benefícios e contas bancárias, prestar atenção a transações através de PIX, evitar compartilhar dados pessoais em ligações suspeitas, utilizar os contatos oficiais das instituições financeiras e, se necessário, procurar órgãos de defesa do consumidor, como o Procon, ou consultar um advogado.