Contrabando e pedágio pressionam Rondônia enquanto obras seguem

Coluna aborda riscos globais e locais: do temor de asteroide e mudanças na Amazônia a crimes na fronteira, obras federais, pedágio e clãs políticos.

Contrabando e pedágio pressionam Rondônia enquanto obras seguem

Cientistas descartaram o risco de colisão do asteroide Apophis (99942) com a Terra em 2029, mas o episódio reacendeu discussões sobre ameaças existenciais ao planeta e a necessidade de soluções de longo prazo. Enquanto propostas radicais, como migração ao espaço, permanecem hipotéticas e restritas a poucos recursos, iniciativas científicas buscam alternativas práticas para minimizar danos a ecossistemas e populações.

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações mantém o programa AmazonFACE, que simula aumentos das concentrações atmosféricas de CO₂ na Amazônia para avaliar a capacidade de adaptação da floresta a cenários de estresse climático. O objetivo é entender possíveis respostas da vegetação e subsidiar políticas de preservação e mitigação.

No cenário político estadual, a proximidade da Copa do Mundo reduziu a atenção pública às disputas por cargos. Entre os movimentos recentes, a primeira-dama estadual Luana Rocha assumiu a coordenação da pré-campanha de Adailton Fúria, enquanto o senador Marcos Rogério intensificou ações em Porto Velho com apoio do prefeito Leo Moraes. Porto Velho tem sido apontada como ponto de maior rejeição ao senador no estado, obstáculo que ele precisa superar para ampliar sua projeção política.

Na fronteira de Guajará Mirim com a Bolívia, autoridades e moradores relatam aumento do contrabando de combustíveis, além de extração de ouro clandestina e descaminho. A área tem sido explorada por facções criminosas, inclusive pela remessa de drogas e armas. Somente neste ano foram apreendidas toneladas de entorpecentes nas rodovias de Rondônia, e relatos apontam uso de pequenas aeronaves para transportar cocaína e armas sobre o Vale do Guaporé, operação atribuída a organizações como o Comando Vermelho e o PCC.

O governo federal anunciou um conjunto de ações previstas para a região amazônica, entre elas a entrega de equipamentos a municípios do Acre, a pavimentação do trecho central da BR-319 entre Porto Velho e Manaus e o início das obras de uma ponte binacional em Guajará Mirim, que ligará o Brasil à Bolívia. Ao mesmo tempo, a bancada rondoniense não obteve avanços no Congresso para reduzir as tarifas de pedágio na BR-364 nem para frear os elevados preços das passagens aéreas que ligam Rondônia a outros estados.

O setor de comunicação do estado enfrenta o desafio da reposição de profissionais experientes. Nos últimos anos perderam-se nomes de destaque do jornalismo regional, enquanto veteranos ainda na ativa continuam a influenciar redações e produções locais. Entre profissionais já falecidos estão Nelson Townes de Castro, Jorcenê Martinez, Euro Tourinho, Rita Furtado, Paulo Queiroz, Gessy Taborda, Paulinho Correia e Ivan Marrocos. Ainda atuam jornalistas e historiadores como José Lúcio Albuquerque, Montezuma Cruz, Waldir Costa, Léo Ladeia, Everton Leoni, Arimar Sá e Valdemar Camata.

Para as eleições de 2026, observa-se a consolidação de candidaturas ligadas a redes familiares políticas. Estão na disputa filhos, irmãos e esposas de políticos locais, entre eles Viveslando Neiva de Carvalho (filho do deputado Ezequiel), Paulo Moraes Júnior (irmão do prefeito Leo Moraes), Joliane Fúria (esposa de Adailton Fúria) e Ieda Chaves (esposa de Hildon Chaves). Outras candidaturas emergem de clãs políticos espalhados pelo estado, refletindo a persistência de estruturas familiares na composição das chapas.

Na Assembleia Legislativa de Rondônia avança a proposta de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o aumento das tarifas de pedágio na BR-364, cobradas entre Porto Velho e Vilhena. Deputados estaduais defendem a investigação em razão do impacto sobre o custo do frete — com caminhões pagando até R$ 2.500,00 em ida e volta — e, consequentemente, sobre os preços ao consumidor em Rondônia, Acre e Amazonas. Parlamentares locais afirmam que a iniciativa explicitaria uma falha da bancada federal, caso não haja ação conjunta para reverter os valores.

Problemas de manutenção da BR-364 também afetam o Acre, onde há queixas sobre atrasos nos pagamentos às empreiteiras e suspensão de obras. Em Rondônia, a principal reclamação é o elevado custo dos pedágios. No campo partidário, o MDB rondoniense registrou ausências em evento de lançamento do candidato ao governo Pedro Abib, com a falta de lideranças como o ex-prefeito Tomás Correia e o ex-governador Valdir Raupp. A sigla enfrenta, segundo observadores, perda de quadros importantes como o ex-deputado federal Lúcio Mosquini, o que pode comprometer sua arrancada eleitoral.

O conjunto de questões — riscos ambientais e planetários, criminalidade integrada à fronteira, obras de infraestrutura anunciadas, impacto econômico dos pedágios e dinâmica das candidaturas familiares — define o atual cenário de Rondônia, que combina demandas por segurança, desenvolvimento e representatividade política.

Fonte da imagem: Divulgação

Fonte das informações: Rondoniaovivo