Comunicador Solano Ferreira alerta sobre poder simbólico da mídia

Comunicadores têm poder simbólico: ao veicular linguagem, moldam normas e devem evitar preconceitos, atualizando-se para educar sem estigmas.

Comunicador Solano Ferreira alerta sobre poder simbólico da mídia

O filósofo e historiador Paul-Michel Foucault afirma que toda dinâmica dos discursos gira em torno do poder: símbolos e mensagens estruturam o tempo e o espaço sociais, e a repetição discursiva origina um "poder disciplinar" que delimita liberdades e impõe vigilância sobre o que é considerado aceitável pela sociedade.

Em entrevista, o comunicador social, jornalista e publicitário Solano Ferreira destacou a responsabilidade dos profissionais da comunicação em evitar a disseminação de preconceitos e estigmas ao transmitir mensagens à população.

Para Solano, o jornalismo não se limita a informar; tem também caráter educativo. Cabe à imprensa acompanhar as transformações culturais e linguísticas e tornar compreensíveis para o público as novas formas de expressão, orientando seu uso correto.

O entrevistado ressaltou a necessidade de atualização diante das mudanças no dialeto popular e nos significados das palavras. Ele citou a oscilação de termos como "preto" e "negro" ao longo do tempo, explicando que usos vulgarizados podem tornar expressões pejorativas e que o comunicador precisa acompanhar essas mudanças para se posicionar sem preconceito. Segundo ele, o comunicador "não é parte da notícia, é apenas o agente transmissor".

Solano também apontou o papel da indústria cultural — cinema, teledramaturgia e jornalismo — na difusão de ideias e linguagens. Como a sociedade assimila automaticamente o que consome, a forma de abordar temas já exerce função educativa e contribui para a construção de convenções sociais.

Retomando o pensamento de Foucault, o entrevistado reafirmou que a comunicação exerce um "poder simbólico": diferente dos poderes executivo, legislativo e judiciário, a mídia não legisla, mas tem capacidade de mobilização e de provocar transformações sociais.

Fonte das informações: José dos Anjos; entrevista com Solano Ferreira