Crise fiscal e indefinição política agitam Rondônia eleitoral

Coluna defende ações práticas contra riscos climáticos na Amazônia e aborda o cenário político de Rondônia: candidaturas, finanças e convenções.

Crise fiscal e indefinição política agitam Rondônia eleitoral

Debates públicos sobre riscos climáticos e sanitários oscilam entre o catastrofismo — que anuncia tragédias futuras de forma exagerada — e o negacionismo, que ignora perigos reais. Especialistas defendem que a postura adequada é avaliar riscos e implementar ações preventivas efetivas, substituindo práticas que não funcionam por soluções testadas e adaptadas às realidades locais.

Recentemente, pesquisadores brasileiros publicaram artigo no British Medical Journal recomendando a reestruturação dos sistemas de saúde na Amazônia. A proposta aponta a necessidade de considerar as mudanças climáticas, os eventos extremos e a insegurança alimentar, além de integrar saberes tradicionais indígenas e práticas locais ao desenho das políticas públicas, em vez de aplicar indiscriminadamente modelos importados de outras regiões.

No plano político estadual, várias candidaturas ao governo de Rondônia foram desfeitas ao longo do último ano e no início de 2026. Entre os nomes que desistiram ou tiveram candidaturas inviabilizadas estão o ex-governador Ivo Cassol (PP), ainda inelegível; o ex-governador Confúcio Moura (MDB), que optou por disputar o Senado; o deputado federal Lúcio Mosquini (ex-MDB), cuja postulação foi encerrada; e o prefeito de Vilhena, Flori Cordeiro, entre outros.

O Partido Novo já definiu suas nominatas para as eleições de outubro. A lista de postulantes à Assembleia Legislativa inclui lideranças regionais e nomes conhecidos no estado, entre eles:

  • Dr. Luís do Hospital (deputado estadual)
  • Magna dos Anjos (vice-prefeita de Porto Velho)
  • Ari Saraiva (ex-deputado estadual)
  • Edson Martins (ex-deputado estadual)
  • Lucas Folador (ex-vice-prefeito de Ariquemes)
  • Edgar do Boi (ex-vice-prefeito de Porto Velho)

O partido também inclui representantes do setor empresarial, como dirigentes do Grupo Gonçalves.

O próximo governador de Rondônia deverá assumir um estado com dificuldades fiscais. Parlamentares da base já apontaram um rombo orçamentário no início do ano. O estado não participou dos programas federais de redução do custo dos combustíveis e enfrenta pressões nos setores de saúde e segurança pública. Houve demissões recentes de servidores estaduais, que indicam ajustes administrativos em curso.

Veteranas lideranças políticas retornam às disputas eleitorais em 2026. Entre os nomes que se apresentam estão o ex-senador e ex-ministro da Previdência Amir Lando; o ex-prefeito e ex-deputado Carlos Magno; o ex-prefeito de Porto Velho Mauro Nazif; a ex-deputada Rosária Helena; e o ex-senador Ernandes Amorim. A influência desses quadros nas urnas é incerta diante do surgimento de novas lideranças no estado, embora sua experiência seja considerada um ativo para as bancadas estaduais e federais.

Com a aproximação das convenções partidárias, a base política rondoniense definirá oficialmente candidatos a governador, vice, senadores e deputados. Se as coligações se mantiverem estáveis, a expectativa é que até sete candidatos disputem o Palácio Rio Madeira. Parte do resultado dependerá do controle das legendas e dos acordos internos, em um contexto em que mudanças de apoio historicamente ocorrem durante o processo convenção.

No cenário senatorial, a candidatura de Bruno Scheidt — que adota o sobrenome Bolsonaro na campanha — ainda não ganhou tração entre eleitores de Rondônia. Pesquisas iniciais mostram índices baixos de reconhecimento na capital, Porto Velho, e competição mais focalizada no interior, onde busca apoio do setor agropecuário. A campanha dispõe de recursos financeiros, mas enfrenta desafio de visibilidade e conectividade com eleitores urbanos.

Outras movimentações locais incluem dificuldades no mercado imobiliário de Porto Velho, que tem levado corretores a buscar alternativas de atuação, e uma vantagem relativa de candidatos com base na capital sobre concorrentes do interior. Há também uma ampliação de famílias e grupos que consolidam bancadas políticas regionais, formando estruturas que lembram dinastias, com participação de parentes em disputas eleitorais.

Fonte da imagem: Divulgação

Fonte das informações: Rondoniaovivo