CPMI do INSS ouve depoentes e aprova coleta de dados sobre fraudes na Previdência
A CPMI do INSS ouve depoentes sobre fraudes na Previdência e aprova requerimentos que solicitam dados da Dataprev, incluindo segurança e acessos ao Meu INSS.
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) deu início, nesta quinta-feira, 28 de agosto, à oitiva de depoentes com o objetivo de investigar fraudes relacionadas à Previdência. Durante a sessão, foram ouvidos a defensora Patrícia Bettin Chaves e o delegado Bruno Oliveira Bergamaschi, que lidera a investigação.
No decorrer da reunião, foram aprovados os primeiros requerimentos com foco na coleta de informações. Um dos principais pedidos partiu do senador Marcos Rogério (PL-RO), que solicitou dados detalhados à Dataprev, órgão responsável pela gestão dos sistemas da Previdência. O requerimento inclui informações sobre acessos ao Meu INSS, falhas detectadas, custos de manutenção, e uma explicação sobre o vazamento de mais de 400 senhas de sistemas internos, que foi reconhecido pela própria empresa em 2025.
Além disso, o requerimento exige acesso a contratos de manutenção do sistema e a um plano abrangente de cibersegurança, que deve incluir medidas de monitoramento, auditorias independentes e planejamentos de investimento.
O senador destacou que essa investigação é crucial para compreender como as falhas na segurança podem ter afetado a proteção dos aposentados, além de promover maior transparência na plataforma.
Marcos Rogério enfatizou a gravidade do problema, afirmando: "Estamos diante de graves deficiências na segurança da informação. Esse cenário agrava o risco de fraudes sistêmicas, já que acessos não autorizados a sistemas internos podem permitir manipulações de cadastros, concessão indevida de benefícios e ocultação de rastros digitais. Para isso, precisamos saber quais ações foram adotadas, inclusive, para evitar novas invasões."
Até o momento, o senador apresentou 29 requerimentos na CPMI, que abrangem convocações de autoridades, pedidos de documentos e quebras de sigilo bancário, fiscal e de inteligência, para investigar possíveis laranjas em fraudes associativas.
Rogério, que tem um histórico de atuação em Comissões Parlamentares de Inquérito, como as que investigaram a Petrobras e a Covid-19, manifestou a expectativa de que a CPMI do INSS mantenha sua independência. "Não há espaço para manobras ou blindagem. O nosso foco deve ser a investigação dos fatos, doa a quem doer", concluiu.