Cassol retoma protagonismo na política de Rondônia após mudança na Ficha Limpa

A aprovação da alteração na Lei da Ficha Limpa permite a Ivo Cassol retornar à corrida política em Rondônia, refletindo sua força no cenário eleitoral de 2026.

Cassol retoma protagonismo na política de Rondônia após mudança na Ficha Limpa

A decisão do Senado, aprovada no dia 2 de setembro, alterou a Lei da Ficha Limpa, permitindo a Ivo Cassol retornar à disputa política. A medida já impactou o cenário da sucessão estadual em Rondônia, mesmo com a proximidade das eleições gerais, que ocorrerão em 14 meses. A presença do ex-governador e ex-senador mobilizou aliados, adversários e o eleitorado, conforme dados do Instituto de Pesquisa de Rondônia (IHPEC), coletados entre 21 de julho e 15 de agosto, com uma amostra de 1.700 eleitores em 38 municípios. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, com um intervalo de confiança de 95%.

Na pesquisa espontânea, onde os eleitores são questionados a citar um nome sem opções prévias, Cassol aparece com 11,9% das intenções de voto, atrás apenas de 75,4% de indecisos. Marcos Rogério e Adailton Fúria aparecem com 5,5% e 3,8%, respectivamente, enquanto outros candidatos não ultrapassam 1%.

No primeiro cenário de simulação, com Cassol, Rogério, Fúria, Hildon Chaves e Sérgio Gonçalves, Cassol lidera com 35,9%, seguido por Rogério com 26,7% e Fúria com 15,5%. A taxa de indecisos é de 15,6%, indicando que a disputa entre Cassol e Rogério, que compartilham a mesma base ideológica, representa uma polarização no eleitorado.

O segundo cenário, que inclui Fernando Máximo no lugar de Fúria, revela que Cassol sobe para 43,8%, enquanto Rogério cai para 23,5%. Máximo, com 15,5%, demonstra potencial para atrair eleitores em busca de novas opções políticas além da polarização vigente.

No cenário mais favorável, onde Rogério e Fúria não estão na disputa, Cassol alcança 47,6%, e Máximo tem 27,3%. Essa configuração, com menos indecisos (15,8%), fortalece a possibilidade de Cassol vencer já no primeiro turno.

As análises políticas ressaltam alguns pontos importantes: primeiro, a força de Cassol ressurge mesmo após anos fora da cena política. Em segundo lugar, a divisão entre os candidatos da direita pode enfraquecer suas chances individuais, beneficiando Cassol. A configuração territorial também é relevante, pois esses candidatos concentram suas bases em regiões próximas, o que pode resultar em sobreposição de votos. É provável que Cassol e Fúria, devido a suas historicamente aliadas, não se enfrentem diretamente, e uma eventual aliança entre eles pode minimizar a dispersão de votos e neutralizar Rogério. Além disso, a falta de candidatos significativos da esquerda no momento beneficia Cassol, que, apesar de suas posições conservadoras, mantém uma imagem de gestor aceitável para alguns setores progressistas. Por último, os indecisos demonstram um perfil pragmático, escolhendo com base na disponibilidade de candidatos e não em princípios rígidos de ideologia.

Em conclusão, a mudança na Lei da Ficha Limpa reposicionou Cassol como uma figura central nas eleições de 2026 em Rondônia. Sua competitividade é evidente, com liderança em diversos cenários de pesquisa, alguns com potencial de vitória no primeiro turno. Contudo, a configuração das alianças políticas será crucial para o desfecho da disputa. Uma aliança com Fúria poderia aumentar sua hegemonia, enquanto a divisão da direita favorece Rogério. Sem nomes fortes da oposição, Cassol se destaca como um candidato capaz de se comunicar além das divisões ideológicas, apoiado por sua experiência e pela intenção de voto de parte significativa do eleitorado.

Fonte das informações: Instituto de Pesquisa de Rondônia (IHPEC)