Eclosão de filhotes de tartarugas aumenta no Vale do Guaporé após crise em 2024
Temporada de eclosão de tartarugas no Vale do Guaporé começa com 60 mil filhotes registrados. Expectativa é de aumento na comparação a 2024, apesar das mudanças climáticas.
Após um ano de significativa redução de 70% no número de nascimentos de filhotes de tartarugas-da-amazônia, tracajás e outros quelônios no Vale do Guaporé, a temporada de eclosão de 2025 começou com resultados mais promissores. Entre os dias 11 e 15 de dezembro, foram registrados 60 mil filhotes, de acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
O Ibama espera que o pico da eclosão ocorra nas próximas semanas, com este processo prevendo-se que se estenda até o final de dezembro e início de janeiro. Ao término do monitoramento, os dados coletados passarão por análise estatística, permitindo estimar com maior precisão a quantidade total de filhotes nascidos na área monitorada.
No último domingo, 14 de dezembro, houve um evento de abertura do período de nascimento, organizado pelo Ibama em parceria com a Associação Quilombola e Ecológica do Vale do Guaporé (Ecovale) e o Grupo Energisa, que incluiu a soltura dos filhotes resgatados em berçários na região.
As mudanças climáticas continuam a impactar o ciclo reprodutivo dessas espécies. Neste ano, o processo de desova começou de maneira tardia, com um atraso significativo, e as condições climáticas adversas resultaram em uma diminuição nas áreas disponíveis para a desova. As tartarugas normalmente depositam seus ovos entre o final de setembro e o início de outubro, mas a eclosão de 2025 teve seu início em 21 e 22 de outubro.
José Carrate, biólogo do Grupo Energisa, informou que houve um atraso de aproximadamente 15 dias na eclosão, com as primeiras saídas ocorrendo apenas na segunda quinzena de dezembro. Esta situação levou a um número de filhotes inferior ao esperado para o período.
Apesar dos desafios climáticos, a expectativa é de um aumento nos nascimentos em relação a 2024, com maior concentração de filhotes em berçários monitorados. José Soares, coordenador da Ecovale, acredita que, apesar das interferências climáticas, as perdas não devem ser significativas este ano.
Os resultados finais em relação aos nascimentos serão divulgados entre o final de dezembro e o início de janeiro, quando todas as contagens serão consolidadas e enviadas ao Programa Quelônios da Amazônia em Brasília.
A Energisa tem acompanhado os impactos ambientais relacionados às mudanças climáticas na região desde 2021, por meio de monitoramento das variações de chuvas e períodos de seca. Este acompanhamento é feito com suporte logístico e fornecimento de energia elétrica à base da Ecovale. A empresa também facilita o acesso à internet, essencial para comunicação em tempo real durante o monitoramento.
O superintendente estadual do Ibama, César Luiz da Silva, destacou que o programa de manejo de quelônios, iniciado em 2011, foi ampliado devido à sua importância, visando aumentar a taxa de sobrevivência dessas espécies e a manutenção de uma população estável, após anos de predação e consumo humano que levaram algumas espécies à beira da extinção.
O Projeto Quelônios do Guaporé é uma das principais iniciativas dedicadas à preservação dessas espécies, e sua atuação em conjunto com a Ecovale e o apoio do Grupo Energisa contribui para a estabilidade da população de quelônios na região, que é considerada o maior berçário do mundo para essas espécies.