Ex-deputado Tiziu Jidalias segue foragido um ano e 5 meses após decretação de prisão, mas foi visto em Ariquemes em abril
O ex-deputado Tiziu Jidalias permanece foragido um ano e cinco meses após a decretação de sua prisão preventiva, tendo sido visto recentemente em Ariquemes.
Líder de uma organização criminosa denunciada pela Polícia Federal e Ministério Público Federal, o ex-deputado estadual por Rondônia, Jidalias dos Anjos Pinto, conhecido como Tiziu Jidalias, permanece foragido da Justiça Federal desde dezembro de 2023. Sua prisão preventiva foi decretada durante a Operação Forja de Hefesto, após uma investigação que durou mais de dois anos.
Recentemente, Tiziu foi avistado em Ariquemes, cidade onde obteve considerável riqueza, acompanhado de um empresário local. Esse curioso avistamento sugere que, apesar de estar sendo procurado, ele ainda exerce influência na região.
A operação que investiga o ex-parlamentar apurou um esquema de extração e comercialização de cassiterita feita ilegalmente dentro da Terra Indígena Yanomami, em Roraima. O juiz federal Victor Oliveira de Queiroz, da Justiça Federal em Roraima, foi responsável pela ordem de prisão contra o ex-deputado.
Além de Tiziu, outras pessoas também tiveram as prisões decretadas, com mandados cumpridos em Boa Vista (RR), Ariquemes e Ribeirão Preto (SP).
Conforme as investigações da Polícia Federal, Tiziu Jidalias atuava como financista e sócio de garimpos ilegais localizados dentro do território indígena, participando ativamente da extração clandestina da cassiterita. O minério extraído era comercializado por empresas de fachada, que pretendiam conferir aparência de legalidade ao produto antes de revendê-lo a grandes indústrias do setor.
Uma das empresas envolvidas na operação movimentou mais de R$ 166 milhões em poucos meses, comercializando cassiterita de origem fraudulenta. O destino final desse minério era a White Solder Metalúrgica e Mineração Ltda, uma das principais empresas do setor, com sede em São Paulo e filiais em Rondônia e Amazonas.
Áudios revelam participação direta
Interceptações telefônicas e mensagens trocadas por aplicativos demonstraram a participação ativa de Tiziu na organização das atividades ilegais. Em um áudio obtido de maio de 2022, ele instrui o grupo a separar a produção interna das compras de terceiros, mostrando preocupação com as operações da PF na área e aconselhando cautela para evitar qualquer associação de seu nome aos garimpos.
As investigações indicam que Tiziu mantinha comunicação contínua com Valdeci Aparecido Cardoso, conhecido como 'Keke', que atua diretamente nos garimpos Pupunha e Baixinho. O número de telefone de Tiziu estava na agenda de Keke, com comunicações sobre logística, pagamentos e produtividade.
Além de Keke, outros mencionados como cúmplices incluem Felipe José da Silva Galvão, sócio de Tiziu, e Nelcides de Almeida Mello, conhecido como 'Gabiru'. Todos eles fazem parte de uma organização criminosa com uma estrutura complexa, que empregava dezenas de trabalhadores, maquinário pesado e empresas para a lavagem de dinheiro.
Crimes investigados
- Extração ilegal de minério em terra indígena;
- Usurpação de bens da União;
- Lavagem de dinheiro;
- Organização criminosa.
A cassiterita extraída na Terra Yanomami era primeiramente negociada com a COOPERTIN (Cooperativa de Produtores de Estanho do Brasil), que posteriormente revendia para a White Solder, completando assim o ciclo ilegal de comercialização.
Ainda que as investigações tenham avançado e outros envolvidos tenham sido capturados, Tiziu Jidalias continua foragido.