Pesquisa em Rondônia aponta desânimo e liderança da direita
Pesquisa em Rondônia revela eleitor conservador e desanimado: direita não bolsonarista lidera, 50,6% sentem desânimo e há baixa confiança nas instituições.
Na última semana, o portal Rondônia ao Vivo, em parceria com a Insights Políticos e Empresariais, realizou uma ampla consulta on-line sobre o comportamento e a percepção do eleitor em Rondônia. A amostra foi qualificada e abrangeu cidadãos de todas as regiões do estado, com objetivo de mapear preferências, sentimentos e nível de confiança nas instituições.
O levantamento revela um eleitorado conservador, com forte memória política, expressivo ceticismo institucional e sinais de desgaste emocional que influenciam escolhas e expectativas para 2026.
Quanto ao espectro político, os resultados apontam liderança da "Direita não Bolsonarista" (33,43%) seguida pelos Independentes (31,36%). Os bolsonaristas somam 15,68% e a soma das correntes de esquerda (lulistas e não lulistas) fica abaixo de 20%. Esses números indicam preferência por valores conservadores e liberais, mas também busca por alternativas além da polarização extrema.
Sobre polarização e convivência social, 63,02% consideram a divisão política prejudicial para o país e 62,43% afirmam não ter deixado de falar com amigos por motivo político. Esses dados traduzem um cansaço com ataques ideológicos e apontam oportunidade para candidaturas que privilegiem união e foco em resultados; eleitores moderados representam 55,92% da amostra.
O sentimento dominante ao pensar na política estadual é o desânimo (50,59%), contra 34,02% que declaram esperança. Ao cruzar esses sentimentos com identidade política, surgem nuances importantes:
- Entre os que se declaram bolsonaristas, 47,17% relatam esperança, enquanto 45,28% sentem desânimo.
- O desânimo atinge 51,85% dos lulistas e 53,77% dos independentes.
- A raiva aparece com maior frequência entre os lulistas (14,81%), sinalizando polarização emocional contra o establishment estadual.
Na percepção econômica, a sensação de melhora é seletiva conforme a renda: entre a elite econômica (mais de 5 salários mínimos), 50,64% afirmam ter melhorado sua situação financeira; na base da pirâmide (até 2 salários mínimos), apenas 34,88% percebem melhora e 39,53% dizem que sua situação piorou. O cruzamento indica um "Rondônia das duas velocidades", em que agroindústria e setor público beneficiam o topo, enquanto inflação e custo de vida pressionam as classes mais baixas.
O índice de confiança nas instituições revela um abismo entre cidadãos e órgãos de poder. A Polícia aparece como o principal pilar de confiança, reforçando a prioridade da segurança pública no estado. Em contrapartida, o Superior Tribunal Federal (STF) sofre rejeição generalizada: a nota 1 é a mais comum independentemente da escolaridade.
Entre os pós-graduados há maior polarização em relação ao STF: 29,32% atribuem notas altas (7-10), mas a maioria absoluta (55,64%) mantém notas baixas (0-3). Esse padrão sugere que a crítica ao Judiciário é consolidada inclusive entre camadas mais escolarizadas, não se restringindo a desinformação.
A memória política também pesa nas avaliações: ao perguntar sobre os melhores gestores do século XXI, Jair Bolsonaro lidera como melhor presidente (40,83%), seguido por Lula (23,96%) e Fernando Henrique Cardoso (19,23%). Entre governadores, Ivo Cassol lidera com 41,42%, seguido por Confúcio Moura (19,23%) e Marcos Rocha (15,98%).
Os cruzamentos mostram ligações históricas entre avaliações presidenciais e estaduais: metade dos eleitores que apontam Cassol como melhor governador também consideram Bolsonaro o melhor presidente. Entre os que elegem Confúcio Moura como melhor governador, 47,69% escolhem Lula como melhor presidente. O atual governador, Marcos Rocha, mantém base fiel entre bolsonaristas (46,30%) mas enfrenta desafio de comparação com gestores com forte recall histórico.
Na capital, Porto Velho, o sentimento de desânimo é ainda mais acentuado (51,77%). O eleitor porto-velhense tende a ser mais escolarizado, mais crítico aos governos federal e estadual e mais exigente; a confiança na Prefeitura de Porto Velho supera a confiança no Governo do Estado dentro da capital.
Em síntese, os eleitores de Rondônia mostram cansaço com promessas e maior sensibilidade a entregas concretas. A valorização da Polícia e a prioridade por Saúde e Segurança indicam que candidaturas pragmáticas, com foco em resultados e retomada de confiança, têm maior probabilidade de atrair o eleitorado em 2026.
O Rondônia ao Vivo seguirá acompanhando esses movimentos e publicando análises que traduzam os dados em informações úteis para o público rondoniense.