Campanha ao governo de Rondonia 2026 marcada por indecisos

Governo Lula é das circunstâncias; minérios seguem sob influência estrangeira. Em Rondônia, a disputa de 2026 está aberta, com candidaturas frágeis.

Campanha ao governo de Rondonia 2026 marcada por indecisos

O governo federal tem adotado posição prática sobre a exploração de terras raras: o ministro do Desenvolvimento, Márcio Elias Rosa, negou a intenção de criar uma empresa estatal para gerir esses minerais. Rosa, especialista em área jurídica ligado ao vice-presidente, argumenta que a atividade é complexa e demandaria tempo para se estruturar de forma eficiente.

No segmento privado, empresas estrangeiras já atuam no Brasil. A americana USA Rare Earth adquiriu a Serra Verde, a única mineradora em escala de terras raras pesadas fora da Ásia, enquanto a Mineração Taboca, controlada pela chinesa Nonferrous Metal Mining Group, fornece estanho para montadoras como Tesla e Toyota. Há preocupação no país de que parte dos lucros e da cadeia produtiva migrem para o exterior, enquanto o Brasil arca com custos ambientais.

Em tom descritivo, o termo “Bāxī” — transliteração do som “Brasil” em mandarim — tem sido usado para ilustrar a crescente presença de atores externos na base mineral nacional.

No plano estadual, a disputa pelo governo de Rondônia para 2026 mostra um cenário aberto e competitivo. Vários candidatos ainda são pouco conhecidos do eleitorado: o professor Pedro Abid (MDB), o candidato do PSB Samuel Costa e nomes do PSOL aparecem com baixa capilaridade eleitoral ou resultados anteriores discretos.

A campanha está em aberto principalmente por causa de um alto índice de eleitores indecisos, que pode alterar o quadro ao longo do período eleitoral. O candidato ligado ao lulopetismo, Expedito Neto, enfrenta a baixa popularidade do governo federal no estado. Já a candidatura apoiada pelo atual governador, Adailton Fúria (PSD), sofre reflexos da impopularidade do governador Marcos Rocha.

Representantes da bancada federal rondoniense têm sido alvo de críticas por parte da opinião pública e movimentos locais, que apontam omissão em temas sensíveis, como a cobrança de pedágio na BR-364, cujas obras não avançaram conforme esperado, e as tarifas consideradas altas. A mobilização tem resultado em ações de pressão, inclusive publicidade dirigida aos parlamentares cobrados pela população.

A indicação do ex-vereador e ex-deputado estadual Everton Leoni como pré-candidato a vice na chapa de Adailton Fúria sinaliza uma composição política articulada entre o atual governador Marcos Rocha e o ex-governador Ivo Cassol. A aliança pode reforçar a candidatura em áreas onde Leoni e Cassol têm maior penetração eleitoral, como Porto Velho, a Zona da Mata e o Cone Sul.

Concorrentes tentam ampliar apoios para reduzir a vantagem do principal nome da disputa regional, o ex-prefeito Hildon Chaves (União Progressista), que aparece com melhor desempenho inicial na região metropolitana. Adailton Fúria e o senador Marcos Rogério (PL) vêm formando coligações e buscando apoios locais, como o do prefeito de Porto Velho, Leo Moraes, para recuperar espaço na capital.

O processo de definição de vices segue em curso. Expedito Neto mantém negociações para consolidar alianças e confirmar seu companheiro de chapa. As convenções partidárias, previstas para julho de 2026, ainda devem consolidar boa parte das composições.

Além da disputa de candidaturas, o Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO) tem alertado para a situação de eleitores com títulos cancelados: quase 10% do eleitorado estadual está com pendências que podem resultar na suspensão do direito de votar neste ciclo eleitoral. O TRE encerra ações de atualização cadastral para reduzir esse contingente.

Fonte da imagem: Divulgação

Fonte das informações: Rondoniaovivo