Rondônia vive crise de confiança nas instituições com polícia em destaque
Levantamento em Rondônia aponta baixa confiança generalizada nas instituições, com STF e governo federal mal avaliados; polícia recebe maior aprovação.
Levantamento da Insights Políticos e Empresariais, em parceria com o portal Rondoniaovivo, aponta baixa confiança generalizada nas instituições públicas em Rondônia, com rejeição acentuada ao Judiciário e aos poderes políticos.
O Supremo Tribunal Federal (STF) foi o principal alvo de desconfiança: a nota mais frequentemente atribuída foi 1, indicada por 50% dos entrevistados, sinalizando, segundo o estudo, uma crise de legitimidade.
As piores avaliações também atingiram o Governo Federal e o Senado. O Governo Federal registrou nota dominante 0 (31,95%), enquanto o Senado e a Câmara dos Deputados apresentaram níveis igualmente baixos de confiança entre os entrevistados.
No âmbito estadual, o Governo de Rondônia aparece desgastado, com nota dominante 1 (31,95%). A avaliação negativa reflete insatisfação com a gestão do governador Marcos Rocha, conforme apontam os dados.
O único destaque positivo nas avaliações foi a segurança pública: a polícia estadual recebeu a nota predominante 8 (18,93%). A atuação do coronel Felipe Vital à frente da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesdec), especialmente no enfrentamento às facções e no combate à violência, recebeu reconhecimento significativo da população.
As igrejas mostram um panorama polarizado, com avaliações dispersas entre notas muito baixas e notas elevadas, indicando divisão interna entre os fiéis ou frequentadores.
A análise do estudo identifica um “abismo institucional” entre cidadãos e centros de poder. A rejeição às instituições não se limita a um grupo social específico e atravessa diferentes níveis de escolaridade, sugerindo que a percepção de ineficiência e falta de transparência é ampla.
No caso do STF, a crítica é transversal: mesmo entre entrevistados com maior escolaridade há polarização. Nesse segmento, 29,32% atribuíram notas altas ao tribunal, mas a maioria (55,64%) classificou o STF com notas entre 0 e 3.
Os autores concluem que a desconfiança não é episódica nem superficial, mas estruturada, alcançando inclusive segmentos mais informados da população. Esse cenário pode reposicionar o debate público em Rondônia, com a segurança tendendo a ganhar centralidade, enquanto as lideranças políticas enfrentam o desafio de reconstruir legitimidade em um ambiente marcado pela desconfiança.