Coalizao de Leo Moraes amplia recursos federais para Porto Velho
Coluna analisa política de Rondônia: coalizão do prefeito Leo Moraes, fragmentação da esquerda, disputas ao Senado, insegurança urbana e fraudes no gado.
Após oito dias no espaço, um astronauta canadense afirmou emocionado que somos “muito sortudos de viver na Terra”. A observação remete à reflexão sobre a singularidade do planeta: embora reclamemos do clima, de governos e de convivência com outras pessoas, não há alternativa habitável conhecida no universo, e permanecer no espaço é logisticamente e financeiramente inviável para a maioria.
Viver fora da Terra exigiria infraestrutura e custos extremos — estimativas chegam a diárias de aproximadamente R$ 800 mil — e, por isso, a Terra continua sendo o único lar prático para bilhões de pessoas. Ao mesmo tempo, fluxos migratórios mostram o quanto as pessoas se movem em busca de melhores condições: calcula-se que cerca de 300 mil chineses e número similar de norte-americanos moram no Brasil, enquanto cerca de 5 milhões de brasileiros vivem no exterior.
Governo de coalizão. A gestão do prefeito Leo Moraes (Podemos) vem se consolidando como coalizão partidária, com secretários indicados por diferentes legendas. A composição inclui nomes ligados ao MDB, indicações de deputados federais que migraram para o Podemos e representantes do PL e do PT. A articulação tem servido para ampliar acesso a emendas e facilitar interlocução com ministérios em busca de recursos federais para o município.
Ganhando terreno. Nas prévias eleitorais, o ex‑prefeito de Cacoal Adailton Fúria vem ampliando atuação na região, com apoio do governador Marcos Rocha e do PSD, mirando crescimento nas pesquisas em Porto Velho. A disputa local segue competitiva, com Hildon Chaves e Expedito Neto como nomes fortes; enquanto isso, observa‑se movimento do senador Marcos Rogério no interior.
Esquerda rachada. A esquerda em Rondônia apresenta ao menos três candidaturas ao governo: Vinicius Miguel (PSB), Luís Carlos Teodoro (PSOL) e Expedito Neto (PT). A fragmentação enfraquece as chances do campo de disputar um segundo turno, segundo analistas, e beneficia candidaturas de direita e centro‑direita diante da dispersão de votos e recursos.
Problema na segurança pública. Em Porto Velho, furtos de fiação elétrica em residências, vias públicas e estabelecimentos comerciais persistem e causam prejuízos à população. Autoridades apontam falta de planejamento e coordenação entre poder municipal, estado e a empresa concessionária de energia. Especialistas e moradores defendem ações integradas, como patrulhamento noturno, para reduzir os delitos que ocorrem principalmente nas madrugadas.
Questões judiciais e eleições. Ex‑governadores da Região Norte que deixaram recentemente o cargo, como Gladson Cameli (Acre) e Antônio Denarium (Roraima), enfrentam processos que podem torná‑los inelegíveis, mas adiamentos nos julgamentos permitem que mantenham candidaturas ao Senado. Ambos aparecem bem posicionados nas pesquisas locais; em particular, Gladson Cameli lidera a corrida ao Senado no Acre, com o petista Jorge Viana como principal rival.
Esquemas e fragmentação partidária. Autoridades fazendárias identificaram compras fraudulentas de gado por pecuaristas de outros estados, prática que tem causado perda de arrecadação em Rondônia. No plano político, a proliferação de candidaturas para a Assembleia Legislativa e para o Senado tem inflamado disputas internas em alguns partidos, gerando insatisfação entre candidatos com menos recursos. Atualmente são 12 nomes concorrendo ao Senado em Rondônia, o que tende a fragmentar ainda mais os votos, sobretudo em Porto Velho.