Frigorífico de Guajará Mirim investigado por golpe de 10 milhões
Frigorífico de Guajará-Mirim é investigado por golpe que teria lesado 90 pecuaristas em R$10 milhões, com indícios de organização criminosa. Buscas foram cumpridas.
A Polícia Civil de Rondônia investiga o frigorífico Raminux, em Guajará‑Mirim, suspeito de aplicar um golpe milionário contra cerca de 90 pecuaristas da região. A Operação Rompere estima prejuízos superiores a R$ 10 milhões, com relatos de perdas individuais que chegam a R$ 500 mil.
Produtores promoveram uma manifestação em frente ao estabelecimento em 7 de janeiro para cobrar dívidas e tentar negociar pagamentos, mas a empresa não quitou os valores reclamados.
Segundo a Delegacia de Repressão ao Patrimônio (DRP), o frigorífico teria adquirido gado de diversos criadores com pagamento a prazo e, posteriormente, interrompido as parcelas. Atrasos inicialmente tratados como questões comerciais tornaram‑se suspeitos após tentativas frustradas de negociação e um suposto pedido de recuperação judicial por parte da empresa.
Em coletiva realizada em 29 de janeiro, a delegada Adrian Viero afirmou que algumas vítimas perderam patrimônio acumulado ao longo da vida. Segundo a delegada, houve casos em que produtores precisaram refinanciar dívidas para tentar honrar compromissos.
As investigações apontam indícios de estelionato com características de organização criminosa e possível sonegação fiscal. A Secretaria de Estado de Finanças (Sefin) presta apoio técnico para análise dos aspectos financeiros e tributários relacionados ao caso.
De acordo com a polícia, o esquema seguia um padrão: aquisição de grandes quantidades de gado, manutenção temporária da confiança dos fornecedores e, posteriormente, interrupção dos pagamentos. Na terça‑feira, 28 de janeiro, equipes cumpriram mandados de busca e apreensão em estabelecimentos ligados ao frigorífico; o material recolhido ainda está sendo periciado e a investigação não descarta novas fases da operação.