Brasil oficializa açaí e busca controle sobre terras raras

Com a banalização da IA e exemplos históricos como o furto do nome 'açaí', cresce o debate sobre proteger terras raras do Brasil diante de acordos com os EUA.

Brasil oficializa açaí e busca controle sobre terras raras

A popularização da inteligência artificial trouxe um aumento na falsificação e manipulação de imagens e conteúdos, ampliando a desconfiança sobre a veracidade do que é recebido, visto ou ouvido. No entanto, a prática de apropriação e fraude de produtos e nomes não é nova: um exemplo antigo é o do açaí.

Até 2003, o açaí era reconhecido como fruto genuinamente brasileiro e predominantemente amazônico. Naquele período uma empresa japonesa chegou a registrar o nome comercialmente, caracterizando uma apropriação indevida. O governo brasileiro contestou o registro, que só foi cancelado em 2007.

Mais recentemente, para proteger o produto, entrou em vigor a Lei 15.330, que oficializou o açaí como “fruta nacional” do Brasil em janeiro. A experiência com o açaí é citada como alerta em debates sobre recursos estratégicos, como as terras raras, cuja exploração suscita preocupação sobre controle estrangeiro e soberania.

Em março, o governo de Goiás firmou um acordo com os Estados Unidos sobre o uso dessas terras, gerando reação de setores nacionalistas que defendem exploração exclusiva por empresas brasileiras. Do outro lado, autoridades ressaltam que o país ainda depende de tecnologia e parcerias externas para viabilizar a extração e o processamento. Enquanto essas discussões e negociações não se consolidam, as áreas permanecem com situação jurídica e regulatória incerta.

Em Rondônia, a trajetória política mostra alternância e transformação ideológica ao longo das últimas décadas. Nos primeiros anos do estado havia presença de lideranças com histórico na esquerda, como Jeronimo Santana, que teve passagem pelo MR-8 e foi eleito governador em 1986, e Claudionor Roriz, eleito senador em 1982, com origem em movimentos de esquerda no Nordeste.

O intenso fluxo migratório de estados do Sul e Sudeste nas décadas seguintes contribuiu para uma virada política mais à direita, que se consolidou ao longo do tempo e ajudou a colocar o PL como a maior legenda do país em determinado momento. Nas eleições de 1982, a direita e o PDS dominaram cadeiras no Congresso e na Assembleia estadual, apoiados pelo governador nomeado coronel Jorge Teixeira de Oliveira.

Desde então houve sucessivas alternâncias: em 1986 a centro-esquerda venceu com Jeronimo Santana; em 1990 a direita retornou com Oswaldo Piana Filho; em ciclos seguintes surgiram Valdir Raupp (MDB), José de Abreu Bianco (PFL), o fortalecimento da direita com Ivo Narciso Cassol (duas vitórias) e depois novo retorno da centro-esquerda com Confúcio Moura, eleito e reeleito pelo MDB. Atualmente o estado é governado por Marcos Rocha, reeleito e com mandato previsto para o final deste ano.

Um traço recorrente nas eleições estaduais é a preferência do eleitorado por ex-prefeitos com bom desempenho municipal. Entre os nomes que chegaram ao governo estão Jeronimo Santana (Porto Velho), Valdir Raupp (Rolim de Moura), José Bianco (Ji-Paraná), Ivo Cassol (Rolim de Moura) e Confúcio Moura (Ariquemes). Observadores apontam que, para a eleição de 2026, prefeitos bem avaliados como Hildon Chaves (Porto Velho) e Adailton Fúria (Cacoal) podem ter vantagem sobre outros pré-candidatos, como o favorecido Marcos Rogério.

Também houve casos de prefeitos bem avaliados que não lograram êxito nas disputas pelo governo estadual, como Francisco Chiquilito Erse (1994), Melki Donadon (Vilhena) e Ernandes Amorim (Ariquemes). A cidade de Rolim de Moura destaca-se por ter originado dois governadores: Ivo Cassol e Valdir Raupp.

No campo econômico e eleitoral, estados como Mato Grosso e Rondônia projetam novos recordes de produção de soja, embora enfrentem gargalos logísticos e problemas de armazenagem. Entre movimentações políticas locais, ex-deputados estaduais como Jesuíno Borabaid, Hermínio Coelho, Adelino Follador, Jair Montes e Ari Saraiva disputam vagas na Assembleia Legislativa nas eleições de outubro. O MDB articula lançar o ex-ministro Amir Lando ao Senado por Rondônia, e Lando já percorre Porto Velho e municípios do Cone Sul em busca de apoio.

Fonte da imagem: Divulgação

Fonte das informações: Carlos Sperança