Rondonia 2026 troca partidaria em massa e embate entre liderancas

Em Rondônia, promessas de segurança não avançaram; cooperação internacional é questionada enquanto cresce a troca de partidos e a disputa pelas eleições de 2026.

Rondonia 2026 troca partidaria em massa e embate entre liderancas

Políticos eleitos prometeram reforçar a segurança, mas, na prática, pouco do anunciado se concretizou. A maior parte das medidas ficou restrita a campanhas, ações pontuais ou palavras — e a população segue sem avanços claros no enfrentamento de crimes que afetam a região amazônica.

Em setembro do ano passado foi inaugurado o Centro de Cooperação Policial Internacional (CCPI), projeto que consumiu R$ 36,7 milhões do Fundo Amazônia. O CCPI integra o Plano Amazônia: Segurança e Soberania, lançado em julho de 2023 com a proposta de ampliar ações de inteligência contra crimes que ameaçam a floresta.

Desde a apresentação do plano houve mudança de entendimento sobre como alcançar resultados: em 2023 ainda se acreditava na capacidade de ações internas de cada estado; no ano seguinte passou a haver reconhecimento da necessidade de iniciativas combinadas entre os nove estados da Amazônia Legal; e, em 2025, a posição do governo federal na Cúpula da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica reforçou a ideia de que a segurança também dependeria de cooperação entre países da região.

Em 2026 crescem dúvidas sobre a execução dessas políticas regionais, com sinais de que interesses externos de nações mais ricas podem estar dificultando acordos e iniciativas conjuntas. Após sucessivas expectativas frustradas, permanece incerta a eficácia das próximas decisões públicas sobre segurança amazônica.

Grande troca-troca

Na janela de mudanças partidárias que se encerrou no fim de semana, cerca de 20 deputados estaduais e federais trocaram de legenda em Rondônia para ajustar estratégias rumo às eleições de outubro. Entre as movimentações mais relevantes, o deputado federal Fernando Máximo deixou o União Brasil e filiou-se ao PL para disputar o Senado.

Para a disputa à Câmara dos Deputados, deputados como Thiago Flores, Rafael Fera (Ariquemes), Cristiane Lopes (Porto Velho) e Lúcio Mosquini (Ouro Preto do Oeste) mudaram de partido em busca de melhores condições de reeleição. Ao mesmo tempo, figuras como a deputada Sílvia Cristina (Ji-Paraná) e o Coronel Chisóstomo (Porto Velho) mantiveram-se nas legendas às quais já pertenciam.

As estimativas

Dirigentes partidários inflaram projeções eleitorais ao preverem desempenho muito superior ao real para a Assembleia Legislativa de Rondônia: alguns pretendem eleger o triplo de cadeiras em relação às 24 vagas existentes. Para atrair nomes, ofereceram vantagens e recursos, e até siglas de menor porte apostam em conquistar duas cadeiras. As listas finais ainda serão aprovadas nas convenções estaduais em julho, quando se espera que parte dos candidatos perceba que foi usada como escada por concorrentes com mais recursos.

Grande embate

As eleições de 2026 em Rondônia devem reunir antigos caciques e novas lideranças, provocando embates entre experiências passadas e renovação política. Entre políticos que buscam retorno estão o ex-ministro Amir Lando (Porto Velho), o ex-prefeito e ex-deputado Carlos Magno, a ex-prefeita Joselita Araújo (Ouro Preto do Oeste), o ex-deputado federal Natan Donadon (Vilhena), o ex-prefeito e ex-deputado federal Mauro Nazif (Porto Velho), o ex-prefeito José Amauri (Jaru), o ex-prefeito de Cacaulândia Adelino Folador, o ex-deputado federal Anselmo de Jesus (Ji-Paraná) e a ex-senadora Fátima Cleide (Porto Velho).

Dois pelotões

A corrida ao governo estadual se estrutura em dois blocos principais. No primeiro estão o senador Marcos Rogério (PL) e forças bolsonaristas, o ex-prefeito de Porto Velho Hildon Chaves (União) e o ex-prefeito de Cacoal Adailton Fúria (PSD), este último com respaldo da máquina do atual governador Marcos Rocha. No segundo pelotão buscam espaço o candidato do PT, Expedito Netto, e o candidato do PSB, Samuel Costa, que deixou a Rede recentemente.

Corrida ao PL

O PL registrou intensa filiação em todo o país, impulsionado pela presença do ex-presidente Jair Bolsonaro no partido e por projeções favoráveis da direita para as eleições. Em Rondônia o crescimento do PL gerou um inchaço de pré-candidaturas e dificuldades na seleção de nomes para as chapas da Assembleia Legislativa e da Câmara dos Deputados. Na capital, a influência bolsonarista é menor; no interior, onde estão dois terços do eleitorado, a direita mantém maior força.

Via direta

Quase metade dos ministros do governo federal deixou os cargos para disputar as eleições de 2026, movimento que se repetiu em Rondônia com secretários estaduais e municipais se desincompatibilizando para concorrer a vagas na Assembleia Legislativa, à Câmara dos Deputados e ao Senado. O vice-governador Sérgio Gonçalves ainda não anunciou apoio formal para a sucessão do governador Marcos Rocha. A permanência de Rocha em funções administrativas alterou projetos de candidaturas e deixou seu futuro político em aberto.

Fonte da imagem: Foto: Divulgação

Fonte das informações: Rondoniaovivo