Disputa eleitoral em Rondônia privilegia clãs e busca renovação

Terras raras podem transformar a economia brasileira se houver marco regulatório e agregação de valor; em Rondônia, clãs e alianças dominam a corrida eleitoral.

Disputa eleitoral em Rondônia privilegia clãs e busca renovação

A discussão sobre as reservas de terras raras no Brasil tende a se estender por anos — possivelmente por uma década ou mais — e pode se arrastar por muito mais tempo considerando que uma dessas substâncias já é explorada no país desde o período imperial.

Recentemente o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o país não deve se limitar a exportar commodities, mas buscar agregar valor aos minerais. A proposta ganha relevância diante da constatação de que a simples extração de recursos em grande escala não resolveu problemas sociais persistentes no Brasil.

O potencial econômico associado às terras raras é grande. Especialistas e autoridades projetam que a exploração e o beneficiamento desses minerais podem gerar riquezas com capacidade de impactar amplamente a sociedade, desde que sejam estabelecidas políticas públicas e arranjos que promovam distribuição e industrialização.

Entre as medidas consideradas essenciais está a criação de um marco regulatório específico para o aproveitamento mineral, em tramitação no Congresso Nacional. A expectativa é que, devido à importância estratégica do tema, o assunto receba atenção e debate qualificado no parlamento, apesar do clima de disputa pré-eleitoral.

Enquanto o país debate as potencialidades das terras raras, a cena política estadual em Rondônia se movimenta com foco nas eleições. A presença de lideranças tradicionais no estado tem dificultado o surgimento de novas lideranças, porque nomes consolidados frequentemente lançam familiares e aliados nas disputas por cadeiras estaduais e municipais.

Na atual temporada eleitoral, por exemplo, há candidaturas cruzadas de familiares: Ieda Chaves concorre à Assembleia Legislativa, ligada ao marido Hildon Chaves, e Joliene Fúria é postulante à Legislativa enquanto o marido Adailton Fúria disputa o governo estadual.

Os chamados clãs políticos permanecem atuantes em várias regiões do estado. O clã Donadon mantém influência no Cone Sul, os Muletas apresentam candidaturas em áreas como Jaru e a Bacia Leiteira, e o clã Amorim estuda postulações em Ariquemes e no Vale do Jamari. Na Zona da Mata e arredores, pólos como Rolim de Moura seguem sob influência de famílias como os Cassol; o clã Raupp se afasta das urnas neste ciclo, enquanto o grupo dos Expeditos tem candidatos ao governo e à Câmara dos Deputados.

Os principais postulantes ao governo estadual concentram esforços nos maiores colégios eleitorais: Porto Velho, que reúne cerca de um terço do eleitorado, além de Ji-Paraná, Ariquemes, Cacoal e Vilhena. Nessas regiões, as legendas reforçam nominatas para Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados em busca de ampliar sua base de apoio.

Na organização partidária, o PSD, ligado ao governador Marcos Rocha, articula uma ampla nominata para a Assembleia Legislativa, após migração de lideranças do União Brasil para o PSD. Para a disputa das cadeiras federais, o PL apresenta uma chapa robusta, impulsionada pela presença do senador Marcos Rogério e pela filiação do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Faltando poucas semanas para as convenções partidárias que homologarão candidatos em julho, o quadro político rondoniense ainda registra indefinições. As negociações por alianças e indicações de vices seguem em curso, e os postulantes tentam ajustar composições aproveitando falhas adversárias. A esquerda do estado aparece fragmentada, o que pode comprometer sua capacidade de disputar o governo estadual com competitividade.

Paralelamente ao cenário político, começa a temporada de feiras agropecuárias no interior de Rondônia, que exibem a pujança do agronegócio local e dinamizam a economia municipal, movimentando comércio, serviços e hospedagem.

Também houve ampliação de ligações aéreas saindo de Porto Velho, incluindo voos diretos para Belo Horizonte, o que facilita conexões com outras capitais. Ainda assim, consumidores e viajantes reclamam que as tarifas das companhias aéreas seguem elevadas, com tendência de novos aumentos no meio do ano.

Fonte da imagem: Foto: Divulgação

Fonte das informações: Rondoniaovivo