Censo revela que 86 atletas brasileiros nascem em 61 cidades para futebol europeu
Estudo revela que apenas 61 cidades brasileiras contribuíram com jogadores nas principais ligas europeias em 2026, com São Paulo e Rio liderando.
O sonho de jogar na Europa continua a ser um dos principais objetivos para atletas brasileiros que ingressam no futebol profissional. Em 2026, o Brasil mantém seu papel como um dos maiores fornecedores de jogadores para o mercado europeu.
Para investigar de quais cidades brasileiras provêm os atletas que atuam nas cinco principais ligas do futebol europeu — Premier League, La Liga, Serie A, Ligue 1 e Bundesliga — um levantamento foi realizado na primeira semana de 2026, registrando todos os jogadores brasileiros. O estudo, que se baseou na cidade de nascimento dos atletas, recolheu dados de perfis oficiais de clubes e ligas.
Ao todo, foram catalogados 86 jogadores, incluindo quatro naturalizados que nasceram no Brasil, mas representam outras seleções. Esses atletas estão distribuídos entre equipes da Inglaterra, Espanha, França, Itália e Alemanha.
O Brasil possui 5.569 municípios, e os 86 jogadores identificados nasceram em 61 cidades, o que representa apenas 1,1% dos municípios brasileiros com representantes nas ligas europeias. São Paulo é a cidade com o maior número de atletas, totalizando 10, seguida do Rio de Janeiro, com 7. Nas regiões metropolitanas, a de São Paulo conta com 16 jogadores, enquanto a do Rio de Janeiro tem 10.
A cidade de Cuiabá aparece em seguida, com três atletas. Outras cidades como Belo Horizonte, Campinas, João Pessoa, Osasco, Porto Alegre, Santos, São Gonçalo, São José dos Campos e Brasília também têm dois representantes cada. As restantes cidades, em sua maioria, registraram um jogador cada, abrangendo tanto grandes centros urbanos quanto municípios do interior.
O censo revela que o Sudeste concentra 64% dos nascimentos dos atletas, com 55 jogadores. O Nordeste segue com 13%, representando 11 jogadores, o Sul tem 10 jogadores, o Centro-Oeste conta com 8 e o Norte com 2. Dos 86 jogadores, 17 estados e o Distrito Federal estão representados, o que equivale a 66,7% das unidades federativas do país, enquanto um terço dos estados não teve nenhum jogador nas ligas europeias.
São Paulo lidera com 34 atletas, seguido do Rio de Janeiro com 13 e Minas Gerais com 6. Estados como Mato Grosso, Paraná, Bahia, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraíba possuem 3 jogadores cada, enquanto outros estados apresentam um cada.
Os dados também revelam um contraste nas origens em relação ao tamanho das cidades. A maior cidade do país, São Paulo, tem mais de 10 milhões de habitantes, enquanto Campo Erê (SC), com 9.623 moradores, é a natal do atacante Alemão, atualmente no Rayo Vallecano. Itapitanga (BA), que abriga 10.279 habitantes e é a cidade do zagueiro Bremer (Juventus) também se destaca. Dos 86 jogadores, 17 são de cidades pequenas, 26 de cidades médias, 16 de grandes cidades e 27 de metrópoles.
Campo Erê, por exemplo, tem um índice de 11,1 jogadores por 100 mil habitantes, o que é significativamente superior à média nacional de 0,042 jogador por 100 mil habitantes. São Paulo e Rio de Janeiro têm cerca de 0,1 jogador, enquanto Cuiabá e Santos têm índices próximos de 0,5.
A análise indica que tanto grandes quanto pequenas cidades contribuem para a formação de talentos. Dos 86 jogadores, 66 nasceram em cidades das regiões metropolitanas, evidenciando a importância desses centros urbanos na formação de novos atletas.
Os dados também sugerem que, apesar de os números nas principais ligas europeias parecerem modestos, há uma redistribuição de talentos brasileiros, com novas ligas em outras partes do mundo, como Arábia Saudita, Catar e Estados Unidos, se tornando destinos viáveis para os jogadores.
Embora geograficamente diversos, a formação profissional ainda está concentrada em poucos clubes. Times de Séries A e B, como Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro e São Paulo, mostram-se como referências na formação de novos atletas, enquanto clubes internacionais como o Grupo City investem na base no Brasil, destacando a necessidade de infraestrutura, suporte e oportunidades para o desenvolvimento de jogadores.
O censo indica que o talento no futebol brasileiro vai além das capitais, revelando como diversas cidades e centros urbanos regionais também alimentam o mercado europeu. Isso demonstra que a formação de atletas não depende apenas do talento, mas da combinação de diversos fatores, incluindo estrutura e apoio dos clubes.