CPMI do INSS ouve empresário ligado a esquema de fraudes em benefícios previdenciários

A CPMI do INSS ouviu Igor Dias Delecrode, apontado como operador de fraudes bilionárias em benefícios, mas ele permaneceu em silêncio, provocando críticas.

CPMI do INSS ouve empresário ligado a esquema de fraudes em benefícios previdenciários

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS ouviu, nesta segunda-feira, o empresário Igor Dias Delecrode, ex-dirigente da Associação de Amparo Social ao Aposentado e Pensionista (Aasap), acusado de ser um dos principais operadores de um esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários.

Durante a oitiva, o deputado federal Coronel Chrisóstomo (PL-RO) pediu que Delecrode se manifestasse sobre as acusações. O parlamentar enfatizou a importância de o empresário assumir a responsabilidade, caso estivesse envolvido em irregularidades: “Diga: ‘roubei’, se roubou; se não roubou, diga: ‘não roubei’”. Contudo, Delecrode optou por permanecer em silêncio, o que gerou críticas por parte dos deputados, que consideraram a atitude um desrespeito à população afetada pelo desvio de recursos.

Delecrode é apontado como membro de um grupo autodenominado “Golden Boys”, composto por jovens empreendedores do setor de crédito e tecnologia. As investigações indicam que ele fez parte de um esquema que movimentou mais de R$ 1,4 bilhão via descontos automáticos em contas de aposentados e pensionistas do INSS, não autorizados. Este esquema teria sido possibilitado por Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) firmados nos últimos meses do governo anterior.

Com um habeas corpus concedido pelo ministro Gilmar Mendes, do STF, o empresário decidiu não se pronunciar. O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), autorizou a apreensão imediata do celular de Delecrode, a fim de preservar possíveis provas relacionadas ao caso. O relator, Alfredo Gaspar (União-AL), destacou a importância de identificar a rede que possibilitou essa fraude, que envolveu empresas e associações como Amar Brasil, Master Prev e Andapp.

Coronel Chrisóstomo reiterou o compromisso da CPMI em encontrar os responsáveis por esses delitos, afirmando que a comissão atua em defesa dos aposentados e pensionistas que foram prejudicados: “Estamos aqui em defesa do idoso que luta para colocar o pão e o leite na mesa”.

A CPMI continua a coletar documentos da Controladoria Geral da União (CGU), do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e da Polícia Federal, que evidenciam movimentações financeiras bilionárias e o uso de tecnologia para a falsificação de assinaturas e cadastros. O grupo investigado teria atuado em diversas regiões utilizando sistemas eletrônicos para inscrever aposentados de forma fraudulenta.

Novas convocações e quebras de sigilo deverão ser votadas nas próximas reuniões da CPMI, com o objetivo de aprofundar as investigações financeiras e identificar todos os envolvidos no esquema.

Fonte da imagem: Assessoria

Fonte das informações: Assessoria