Rondonia registra piores indicadores e custo de vida em alta
Guerras externas pressionam a economia e o diesel; em Rondônia, pedágios abusivos elevam custo de vida, faltam creches, saneamento e cresce a polarização.
Conflitos militares promovidos pelos Estados Unidos continuam a provocar perdas humanas, destruição de recursos naturais e impactos econômicos globais. A retórica utilizada para justificar intervenções frequentemente contrasta com os resultados práticos: operações em países vizinhos da Amazônia e no Oriente Médio têm efeitos indiretos que chegam ao Brasil, por exemplo, elevando o preço de combustíveis e afetando regiões rurais e urbanas.
No contexto regional, ações recentes na Venezuela e tensões com o Irã ilustram a disparidade entre os objetivos declarados e os desdobramentos reais. Medidas externas que visam mudanças de regime ou impedir programas nucleares geram custos elevados e incertezas, enquanto problemas estruturais como a produção de energia alternativa na Amazônia permanecem como soluções de médio a longo prazo.
Em Rondônia, indicadores sociais e de segurança preocupam autoridades e população. O estado aparece com níveis elevados de feminicídio, ocorrências de violência em conflitos por terra e déficits em saneamento básico, incluindo abastecimento de água e coleta de esgoto. Porto Velho figura entre as três capitais com pior cobertura de educação infantil, e a escassez de creches é reclamação recorrente entre mulheres trabalhadoras.
Especialistas e lideranças locais apontam a existência de creches abandonadas ou inacabadas na capital que poderiam ser revitalizadas para ampliar vagas. Há apelos por ações coordenadas entre os governos municipal, estadual e federal para enfrentar a carência de infraestrutura educacional infantil nos próximos anos.
Críticas também recaem sobre a bancada federal de Rondônia. A inexperiência e a baixa articulação política, segundo observadores, teriam contribuído para a instalação de pedágios entre os mais caros do país e para a perda de pautas consideradas relevantes para a região, como a redução de tarifas aéreas. A percepção de atuação voltada a interesses locais restringidos alimenta a insatisfação popular, refletida em altas de preços nos supermercados e no custo de vida.
Nas primeiras sondagens eleitorais após a definição de candidaturas ao governo estadual, há uma divisão territorial clara: o senador Marcos Rogério (PL) lidera na região interiorana, onde está concentrada aproximadamente metade do eleitorado, enquanto o ex-prefeito de Porto Velho Hildon Chaves (Federação Progressista) aparece à frente na capital e na região metropolitana, que reúnem parcela significativa dos votantes.
A corrida estadual mostra sinais de polarização entre Rogério e Hildon, com ambos tentando ampliar áreas de votação tradicionalmente adversas. Concorrentes do interior, como o ex-prefeito de Cacoal Adailton Fúria (PSD) e o candidato de uma coalizão de esquerda, o petista Expedito Neto, buscam interromper essa polarização para ganhar protagonismo até as convenções partidárias.
As estratégias dos candidatos variam: Adailton Fúria aposta no apoio do governador e numa base forte em Cacoal e na Região do Café; Expedito Neto espera beneficiar-se do desempenho do presidente nacionalmente para captar até cerca de 30% dos votos em Rondônia. Adversários avaliam que, com união das forças opositoras e aproveitando rejeições regionais a Rogério, qualquer candidato que o enfrente em um eventual segundo turno poderá ter chances reais de vitória.
Da atual bancada federal, alguns nomes já se lançaram ao Executivo e ao Senado. Entre os postulantes mais citados estão o próprio Marcos Rogério para governador e, para o Senado, Sílvia Cristina (PP), Fernando Máximo (PL) e Confúcio Moura (MDB). Observadores alertam que o desgaste da bancada pode influenciar resultados e que as homologações das nominatas nas convenções partidárias, nas próximas semanas, serão decisivas para consolidar as chapas.